A Embrapa
inaugurou nesta segunda-feira, 11, em Campinas (SP) uma nova unidade, que vai
compilar e analisar dados sobre o território brasileiro, para subsidiar a
tomada de decisão do poder público e da iniciativa privada. “A Emprapa
Territorial chega para fortalecer o avanço da agropecuária brasileira”, diz o
presidente da empresa, Maurício Lopes. “Ela faz parte de um processo amplo de
atualização da empresa e atende ao contexto de dificuldade pelo qual o País
passa. Temos de buscar eficiência e um foco mais acurado.”
Segundo
Evaristo de Miranda, chefe geral da nova unidade, o momento é de ampliar o
foco. “Agora a empresa é desafiada a olhar além dos limites das fazendas, olhar
para territórios.”
Segundo ele,
olhar o território brasileiro com inteligência envolve analisar o uso e a
ocupação de terras pela agropecuária para verificar como o País pode crescer na
produção com sustentabilidade e ser mais competitivo no mercado externo. Ele
afirmou que os resultados da nova unidade “serão entregues em pouco tempo”.
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Conforme
Miranda, no âmbito do agronegócio, uma das principais contribuições da Embrapa
Territorial é o sistema de inteligência territorial da macrologística
agropecuária, que terá seus primeiros resultados divulgados no final de
fevereiro de 2018. O projeto vai se estender por 18 anos.
“A
agropecuária, que tem a maior demanda logística e a maior carga, superior à da
mineração, não conta com um sistema de inteligência da sua logística”, apontou.
Ele ressaltou que o sistema combina uma análise sobre a evolução da área e
produtividade das 10 principais culturas do Brasil, uma avaliação sobre todos
os modais disponíveis para escoamento dessa produção e uma pesquisa de como os
insumos chegam e a produção sai das áreas de cultivo.
“Identificamos
30 obras consideradas prioritárias para aumentar a competitividade do
agronegócio”, destacou.
CAR. Miranda
também citou a análise dos dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR), segundo os
quais 177 milhões de hectares no País foram destinados pelos produtores à
preservação da vegetação nativa. As terras imobilizadas foram avaliadas pela
Embrapa em R$ 3,2 trilhões.
“A gente vai
estudar a dimensão econômica e social disso. A sociedade precisa reconhecer o
esforço desses agricultores e encontrar uma forma de compensação por isso.”
A criação da
Embrapa Territorial não envolveu gastos adicionais e conta com a parceria de
outras 30 unidades da estatal. Além disso, estão em negociação parcerias com o
setor privado. “Temos dezenas de contratos com cooperativas, empresas e
organizações rurais que atestam o desenvolvimento desta unidade”, diz Miranda.
O ministro
da Agricultura, Blairo Maggi, presente ao lançamento, disse que a nova unidade
vai ajudar o governo e a iniciativa privada a tomar decisões no futuro. Segundo
ele, os dados sobre logística poderão orientar investimentos em infraestrutura
tanto públicos como privados.
Maggi voltou
a dizer que a forte atuação do Brasil no mercado internacional causa reação dos
competidores. “Somos exportadores para mais de 150 países. Esse crescimento do
Brasil incomoda muita gente”, disse. O ministro considera que mesmo com um
“ativo ambiental fantástico”, o Brasil não é respeitado ou reconhecido por
isso. “Temos que aproveitar a oportunidade de nos reposicionarmos com
inteligência e dar outro salto futuro. Essa inauguração (da Embrapa
Territorial) vem nessa direção.”
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