A transportadora ferroviária Rumo reverteu prejuízo e
registrou lucro atribuído aos sócios da empresa controladora de R$ 76,2 milhões
no terceiro trimestre, reflexo do resultado operacional e da queda de custos.
“Descobrimos o ponto de equilíbrio da companhia. Isso mostra
principalmente o resultado da redução de custos que a companhia está fazendo
sem prejudicar a qualidade do serviço”, disse o presidente Julio Fontana,
em entrevista ao Valor.
Após a fusão em abril de 2015 com a ALL, a Rumo deflagrou
investimentos que, segundo Fontana, começaram a dar frutos. Em 2016 a safra
quebrou, o que frustrou os resultados. “Mas neste ano estamos tendo
oportunidade de mostrar a assertividade do que estamos fazendo. É um trabalho
de reconstrução da relação e da produtividade da empresa, que vinha de um
processo degradado.”
Entre as operações da Rumo está o mais rentável corredor de
exportação do agronegócio brasileiro, um sistema ferro-portuário que liga o
Mato Grosso ao porto de Santos. Os números financeiros e operacionais do
trimestre foram positivos. A receita líquida foi de R$ 1,649 bilhão, alta de
14,7% na base anual. O lucro antes dos juros, impostos, depreciação e
amortização (Ebitda) ficou em R$ 800,9 milhões, aumento de 24,6%. Os dados se
referem aos resultados da Rumo S.A. acrescidos dos resultados da Rumo Logística
S.A., empresa resultante da incorporação reversa realizada no fim de 2016.
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A alavancagem medida pela relação entre dívida líquida –
incluindo operações de leasing – e Ebitda ficou em 3,98 vezes. Redução de 0,28
ponto sobre o fim do segundo trimestre, quando o indicador fechou em 4,26
vezes.
Se fosse considerado o efeito do aumento de capital feito
pela companhia em outubro, a alavancagem seria de 2,9 vezes. A Rumo levantou R$
2,6 bilhões na oferta pública subsequente de ações, recursos que serão
utilizados para melhorar a estrutura de capital. A estimativa é chegar ao fim
do ano com uma alavancagem de 2,6 vezes, para o que deve contribuir o aumento
do Ebitda.
“Aquela visão que o mercado tinha de que éramos uma
empresa super endividada e que oferecia algum nível de risco está revertida.
Nossas negociações hoje são tremendamente diferentes em relação ao
passado”, disse Fontana.
O volume de cargas nas ferrovias da Rumo cresceu 17,7% no
terceiro trimestre, para 14 bilhões de TKUs (tonelada por quilômetro útil),
sempre na base anual. O transporte na Operação Norte (que inclui as malhas Norte
e Paulista) registrou aumento de 15,4%, para 9,2 bilhões de TKUs, e a Operação
Sul (malhas Oeste e Sul) fechou o trimestre com 4,3 bilhões de TKUs, alta de
20,6%.
“Com o crescimento da produção que prevemos para o
futuro e com as ações que tomamos para redução do endividamento, você começa a
entrar num círculo virtuoso e ter resultados melhores de uma forma mais perene.
Estamos no caminho”, disse Fontana.
Já os volumes embarcados no porto caíram 4,5%, para 3,9
milhões de toneladas – reflexo do cenário menos favorável para a
comercialização do açúcar.
Desde 2015 a Rumo investiu quase R$ 5 bilhões de um plano de
quase R$ 9 bilhões traçado para ser implantado em cinco anos. O restante será
aplicado principalmente nas malhas Paulista e Sul. “Uma boa parte do que
fizemos já integra o plano da renovação da Malha Paulista”, disse o
executivo. A Rumo pediu ao governo a prorrogação antecipada da Malha Paulista,
que vence em 2028, mediante realização de investimentos imediatos para aumento
da capacidade de escoamento e da eficiência. A empresa diz que entregou os
questionamentos solicitados pelo TCU e ANTT, a agência reguladora.
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