Este ano vai marcar uma transição na política de dividendos da Vale. O conselho de administração da empresa já aprovou o novo modelo de remuneração aos acionistas. E em abril, em data a ser definida, caberá aos próprios acionistas, reunidos em assembleia geral, deliberar sobre a mudança. A expectativa é que comece a vigorar a partir dessa assembleia. A Vale deverá definir o montante dos dividendos a serem distribuídos só depois de encerrado o exercício. Até agora a empresa antecipava um dividendo mínimo, em duas parcelas (abril e outubro), antes mesmo de conhecido o resultado do ano.
Analistas dizem que a Vale não deverá pagar dividendos aos acionistas em 2016. Pela nova política, a decisão deve ser oficializada no começo de 2017. Mas, em janeiro, a Vale já havia informado que a diretoria submeteria ao conselho de administração proposta de remuneração mínima igual a zero para 2016. No comunicado, a empresa disse ainda que o conselho iria rever a atual política de dividendos. “A nova política [de dividendos] permite entender o resultado [da empresa] para depois fazer a distribuição. Antecipar o pagamento é hoje pouco condizente com o momento atual”, disse fonte. “A nova política de dividendos vai ser mais aderente aos resultados.”
Como a Vale está gerando menos caixa pela queda nos preços do minério de ferro, existe a tendência de que a empresa pague menos dividendos, pelo menos enquanto os preços não subirem. O movimento é reforçado pela prioridade de reduzir a dívida líquida em US$ 10 bilhões em 18 meses. Para pagar dividendos, seria preciso uma alta estrutural nos preços do minério do ferro, o que não está no horizonte dos bancos este ano, ou que a empresa consiga ser bem-sucedida na venda de ativos. Mas mesmo que consiga se desfazer de ativos o dinheiro obtido não deverá ser usado para pagar dividendos no atual cenário, dizem analistas.
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A mudança na política de dividendos da Vale deve ser bem recebida pelos investidores, uma vez que é uma forma de a empresa preservar caixa em momento difícil como o atual. Este ano deverá ser a primeira vez, desde 1999, que a empresa deixará de pagar dividendos aos seus acionistas. Em 2015, a Vale distribuiu US$ 1,5 bilhão e, em 2014, US$ 4,2 bilhões. O recorde foi em 2011, com US$ 9 bilhões.
A Vale sempre foi vista como uma boa pagadora de dividendos. Mas as mudanças nas condições de mercado forçaram a empresa a ser mais conservadora. Enquanto o mercado operou com preços altos, a mineradora tinha folga para antecipar dividendos mínimos independente do resultado a ser apurado ao fim do exercício. A Vale gerava muito caixa e tinha reserva de lucro. Hoje a geração de caixa é menor como resultado direto da queda no preço do minério de ferro e dos metais (níquel e cobre).
Basta comparar: em 2011, o preço médio do minério com teor de 62% de ferro no mercado à vista da China situou-se em US$ 169 por tonelada, o que levou a Vale a registrar um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de US$ 33,7 bilhões. Em 2015, o preço médio do minério com 62% de teor de ferro foi de US$ 55,5 por tonelada, reduzindo o Ebitda para US$ 7,1 bilhões.
A notícia positiva é que o primeiro trimestre de 2016 pode significar um resultado melhor para a empresa como efeito direto da alta dos preços do minério de ferro entre janeiro e março. A Vale deve se beneficiar porque fatura cerca de um terço das vendas pelo preço em vigor no fim do exercício, disse analista. Ontem o preço do minério de ferro no porto de Tianjin, na China, ficou em US$ 58 por tonelada, alta de 3% sobre sexta-feira, segundo o The Steel Index.
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