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Moreira diz que Lava-Jato não retarda investimentos

O secretário-executivo do Programa de Parceria de
Investimentos (PPI), Wellington Moreira Franco, avaliou, após reuniões com
investidores em Nova York, que a Operação Lava-Jato não vai retrair o interesse
de companhias nacionais e estrangeiras para fazer aportes de capitais nos
leilões no Brasil. Para ele, a operação mostra que o país tem regras e,
portanto, pode ser benéfica para trazer novos investidores ao programa de
concessões.

“Nós já temos consórcios de médias empresas que se
associaram e ganharam um leilão de rodovias”, exemplificou. “Eu não
tenho dúvidas de que, na medida em que se cria o ambiente concorrencial e há
mais empresas disputando, se gera movimento natural de se trazer novos
players.”

Moreira disse que, em pelo menos duas reuniões com
investidores em Nova York, eles mencionaram os impactos da Lava-Jato por causa
do tamanho e da importância que as empresas atingidas têm na economia
brasileira e pela segurança jurídica do processo. “Eu disse que o Brasil
dá demonstração de vitalidade institucional”, respondeu. “Veja que
estamos nos adaptando para praticar esses novos valores dos novos tempos. O
combate à corrupção é um movimento internacional.”

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Moreira Franco disse ainda que as investigações atingiram
grandes empresas e políticos de expressão, mas “as instituições estão
funcionando com a maior tranquilidade e serenidade”.

“O Brasil está tecendo novas relações, determinando
novas relações entre as empresas e o Estado e o próprio Estado dentro dele
mesmo, sem que haja violência, terrorismo, quebra de ordem e dentro de um
ambiente de muita segurança. Então, eu vejo que nós estamos fazendo o nosso
dever de casa de maneira adequada, correta, com transparência e clareza.

Em entrevista ao Valor PRO, serviço de informação em tempo
real do Valor, Moreira Franco rebateu as reclamações de integrantes do PMDB que
reclamaram que a Fundação Ulysses Guimarães, entidade presidida por ele, não
está fazendo repasses de dinheiro para candidatos às eleições municipais.
“A legislação impede que a fundação faça repasses de recursos com
finalidades eleitorais”, enfatizou. “Ao final do exercício, sobrando
recursos, eles podem ser repassados aos partidos, mas essa decisão tem que ser
tomada pelo conselho da fundação. Eu não sou o dono da fundação. Há um
conselho.”

Questionado se o governo iria buscar a volta de R$ 100
bilhões que haviam sido anunciados ao BNDES para investimentos em
infraestrutura, o ministro disse que o rombo foi bem maior. “Na verdade, o
buraco foi de R$ 500 bilhões”, ressaltou. Moreira Franco disse que já
foram iniciadas as tratativas para retomar os R$ 100 bilhões e essa questão
está sendo tratada pelo Ministério da Fazenda.

“Mas uma preocupação que nós temos que ter é a de
reencontrar os valores que foram trazidos para a economia brasileira com a Lei
de Responsabilidade Fiscal. São os valores que impunham práticas aos dirigentes,
prefeitos, governadores e ao presidente da República. Eles foram desrespeitados
com as pedaladas e temos que retomá-los.”

Na avaliação do ministro, o Poder Público tem que se
concentrar em atender as necessidades básicas da população e, portanto, não
deverá ser um participante tão ativo nos leilões de infraestrutura.

Moreira qualificou as debêntures de infraestrutura como
essenciais para atrair investidores nas concessões que o governo vai
implementar nos próximos anos. “É a maneira de efetivamente mudar a
política e tornar o processo de financiamento mais próximo do mercado.”

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