Pagar a passagem de ônibus ou trem apenas encostando o
cartão de crédito ou débito em um sensor, aumentar o tempo de espera dos
veículos no semáforo para o pedestre atravessar a rua com mais segurança e
descobrir pelo smartphone não apenas o horário em que o ônibus vai passar no
ponto, mas eventuais contratempos no trajeto do coletivo e que podem provocar
atrasos. Tudo isso já é possível nas grandes cidades brasileiras graças às
inovações tecnológicas que facilitam a mobilidade urbana e o dia-a-dia do
cidadão em seus deslocamentos.
Em São Paulo, há um mês os passageiros da linha 376
(Diadema-Brooklin) da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) podem
embarcar apenas encostando o cartão de crédito ou débito em um aparelho ao lado
da catraca do ônibus. O objetivo é oferecer mais opções de pagamento e aumentar
a agilidade no embarque.
“A pessoa paga a passagem da forma mais conveniente
para ela”, diz Rubens Gil Filho, CEO da Autopass, empresa responsável pela
tecnologia. O público alvo é aquele que efetua o pagamento em dinheiro, já que
o sistema não contempla a integração oferecida pelo governo do Estado e pela
Prefeitura de São Paulo através do bilhete único – ao transferir de veículo, a
pessoa tem de pagar uma nova passagem integral.
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A Autopass também é responsável pela implantação em São
Paulo de outro modelo, o QR Code – semelhante aos utilizados nos bilhetes
emitidos pelas empresas aéreas. No futuro, a ideia é que a catraca seja
liberada ao aproximar o celular com o código, prática cada vez mais comum nos
aeroportos. O Code já funciona em fase piloto na Estação Tamanduateí da
Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e deve ser expandido a outras
cinco estações da CPTM até dezembro.
Um dos maiores problemas para pessoas com mobilidade
reduzida nas grandes cidades é o tempo curto do semáforo de pedestres. Em
Curitiba, a prefeitura criou o cartão Respeito, que aumenta em até 50% o tempo
de sinal aberto para travessia de pedestres em semáforos da capital paranaense.
O cartão, gratuito, é distribuído às pessoas com mobilidade reduzida, como
deficientes físicos e idosos. Ao encostá-lo em um dos 150 semáforos
inteligentes espalhados pela cidade, o sinal fica fechado aos veículos por mais
alguns segundos além do tempo programado e a pessoa pode atravessar a via de
maneira segura.
Quando o assunto é inovação tecnológica a serviço do
cidadão, os aplicativos exercem papel de destaque. “A circulação de
informações para a tomada de decisões é facilitada pelas tecnologias
digitais”, diz a administradora pública e doutora em urbanismo Ana Carla
Fonseca, diretora da Garimpo de Soluções, empresa de projetos e estudos para as
cidades.
É cada vez maior o número de pessoas que preferem deixar
seus carros em casa e utilizar os serviços de táxi ou Uber para circular pela
cidade, a trabalho ou lazer. “As pessoas estão se desapegando de ter um
carro próprio e valorizando mais outras formas de deslocamento”, diz o
gerente de relações-públicas da 99, Ricardo Kauffman.
Pesquisa interna da empresa aponta que mais de 35% dos
usuários do aplicativo de táxi planejam, em algum momento, vender seus carros e
se locomover apenas por aplicativos. Diante disso, a 99 prepara novidades, como
a inscrição para o cadastro de táxis “tuk tuk” – triciclos
motorizados com capacidade para dois passageiros.
Com preço bem mais acessível do que os táxis comuns (menos
de 50% em comparação à corrida normal), o objetivo do tuk tuk é ampliar a base
de passageiros e contemplar corridas curtas e em ruas estreitas. Previsto para
começar a operar em janeiro, as primeiras cidades que devem oferecer o modelo
são Manaus e Rio de Janeiro.
Quem utiliza o transporte coletivo também dispõe de
aplicativos que ajudam na locomoção. No Moovit, as informações vão além dos
dados fornecidos pelas empresas ou órgãos públicos. A rede é alimentada com
notícias prestadas pelos próprios usuários. “Como o sistema de transporte é
um organismo vivo e está mudando o tempo todo, contamos também com a
contribuição em tempo real para reportarem acidentes, por exemplo”,
explica o country manager da Moovit no Brasil, Pedro Palhares. De origem
israelense, no Brasil a ferramenta atinge mais de 13 milhões de usuários em
cerca de cem cidades, como São Paulo, Rio, Porto Alegre e Belo Horizonte.
Até o início do próximo ano, parte da frota da AES
Eletropaulo deve ser composta por alguns carros e caminhões elétricos. Para
isso, a empresa fez uma parceria com a chinesa BYD, uma das principais
fabricantes mundiais de carros elétricos. “A proposta é desenvolvermos um
trabalho de co-criação”, explica a presidente da AES Ergos, Teresa
Vernaglia.
Nesse sentido, a Eletropaulo entra com todo o aparato e a
experiência em energia elétrica e infraestrutura, enquanto a BYD fornece
modelos de veículos e utilitários elétricos. No futuro, a parceria também deve
ser estendida a empresas de transporte público. “Há uma janela de
oportunidades muito grande”, diz Teresa, referindo-se ao transporte movido
por energias renováveis.
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