Diversificação geográfica e de negócios. Para o presidente
da CCR, Renato Vale, a escolha dessa estratégia foi decisiva para levar a
empresa, uma das maiores companhias de concessão de infraestrutura da América
Latina, ao primeiro lugar na categoria Transportes do ranking Empresas Mais
2015. Reconhecida no setor de rodovias, com 3,2 mil quilômetros do País sob seu
controle, a empresa reforçou nos últimos anos a expansão de sua atuação. Dona
da concessão de rodovias importantes como a NovaDutra, que liga Rio de Janeiro
e São Paulo, e o sistema Anhanguera-Bandeirantes, que conecta a capital
paulista à região de Campinas e ao interior paulista, a CCR estreou em 2011 no
setor aeroportuário, com a aquisição de participações nos aeroportos
internacionais de San Jose (Costa Rica), Quito (Equador) e Curaçao, no Caribe.
Hoje, opera também o aeroporto de Confins (MG), juntamente com a BH Airport.
A busca por novas oportunidades de investimento fez o grupo
reunir os mais diferentes negócios, como a Samm, especializada em transmissão
de dados, com 4,7 mil quilômetros de fibra óptica subterrânea e aérea, e
operações no segmento de transporte de passageiros, como a gestão da Linha
4-Amarela do metrô de São Paulo e do sistema metroviário de Salvador e Lauro de
Freitas. A CCR detém ainda a participação de 34,5% no serviço de cobrança
automática de pedágios e estacionamentos Sem Parar, avaliado em R$ 4 bilhões.
Neste ano, a companhia já confirmou que manterá os planos de
investimentos previstos e garante que continua atenta a novas oportunidades.
Apesar da queda no tráfego das estradas, em função da atividade econômica mais
fraca, o grupo começou a colher os resultados da estratégia de diversificação,
com a entrada em operação de negócios que começarão a gerar receita, como o
Metrô de Salvador e a BH Airport.
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A empresa deve investir quase R$ 5 bilhões neste ano, o
maior montante já desembolsado pela CCR em 16 anos de história. Na lista de
projetos estão a modernização do aeroporto de Confins, a implantação do veículo
leve sobre trilhos do Rio de Janeiro (VLT Carioca), assim como a duplicação da
BR-163, em Mato Grosso do Sul, importante corredor de escoamento da produção do
agronegócio. Frente a essa agenda robusta de investimentos, o lucro líquido
diminuiu, mas a relação dívida líquida/EBITDA é de 2,5 vezes, bem abaixo do
teto de 3,5 vezes definido nas cláusulas restritivas de endividamento acordadas
com credores. “É isso que chamamos de crescimento qualificado, com disciplina
de capital e criação de valor para nossos acionistas”, diz Vale.
Pioneirismo na Bolsa
O presidente da CCR faz questão de ressaltar a importância
de ações que fortaleceram a reputação da empresa. Ela foi, por exemplo, a
primeira empresa brasileira a integrar o Novo Mercado da BM&FBovespa, o
segmento mais exigente do mercado de capitais brasileiro, destinado à
negociação de ações de empresas que adotam, de forma voluntária, práticas de
governança corporativa adicionais às exigidas pela legislação. “Essa decisão
revelou ao mercado a disposição de ser uma companhia transparente e muito
criteriosa na escolha e na administração de seus negócios”, complementa Vale.
Para 2016, Vale tem uma expectativa positiva. Segundo o
executivo, o governo tomou duas medidas importantes para restabelecer a
confiança dos investidores: o lançamento da segunda etapa do Programa de
Investimento em Logística (PIL), com novas concessões em área cruciais para o
desenvolvimento da infraestrutura, e o ajuste fiscal. “Dependendo das condições
do negócio, podemos disputar as concessões de rodovias e aeroportos”, afirma
Vale.
Em julho, a empresa, controlada por Andrade Gutierrez,
Camargo Corrêa e Soares Penido, mostrou interesse em quatro rodovias e no
aeroporto de Salvador, que pode gerar sinergias com o metrô da cidade.
Logo atrás da companhia de concessão em infraestrutura, duas
empresas ligadas à Petrobras completam o pódio do setor de transporte: a
Transpetro, em segundo lugar, seguida pela Transportadora Associada de Gás, a
TAG.
Com 14,5 mil km de oleodutos e gasodutos, 21 terminais
terrestres, 28 terminais aquaviários e uma frota com 53 navios-petroleiros, a
Transpetro é a maior empresa em transporte e logística de combustíveis do
Brasil. Em 2014, faturou R$ 8,9 bilhões, com receita operacional líquida de R$
7,7 bilhões, resultado 16% maior do que no ano anterior. Sobre as iniciativas
que tiveram um papel importante em seu desempenho, a empresa destacou, em
relatório de administração, o Programa de Otimização de Custos Operacionais
(Procop). O projeto reforçou as mudanças na cultura de gestão dos gastos da
companhia e proporcionou, apenas em 2014, uma economia de R$ 414 milhões, 79%
maior que no ano anterior.
Outro marco na atividade da empresa é o Programa de Modernização
e Expansão da Frota da Transpetro (Promef), que revitalizou a indústria naval
brasileira na última década, a partir da sua demanda total de 49 navios, que
acrescentarão, quando concluídos, 4 milhões de toneladas de porte bruto (tpb) à
capacidade atual de transporte marítimo da companhia. O projeto fechou o ano
passado com nove navios entregues, dos quais oito em operação, além de 14 em
diferentes fases de construção. No período de 2014 a 2018, a Transpetro prevê
investir US$ 5,05 bilhões, que terão como prioridades o Promef e a manutenção
da infraestrutura na área de dutos e terminais.
Por fim, a TAG, uma subsidiária integral da Gaspetro, da
Petrobras, ficou com a terceira colocação do setor. A empresa, maior
transportadora de gás natural do País, possui uma malha de gasodutos de
aproximadamente 6,6 mil km de extensão, segundo informações do site da
companhia. Em julho, o conselho de administração da Petrobras aprovou uma
reestruturação na companhia, em que a ideia é separar as atividades em duas empresas,
uma voltada para a malha de gasodutos no Norte e Nordeste e outra voltada pela
rede Sudeste. A TAG é apontada como um dos alvos do plano de desinvestimentos
da Petrobras, que prevê levantar US$ 15,1 bilhões com a venda de ativos entre
2015 e 2016.
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