A indústria da construção está entre as que mais sentem os
efeitos negativos da atual crise político-Econômica brasileira. Em razão da
piora do ambiente macroeconômico, principalmente dos indicadores como Produto
Interno Bruto (PIB), inflação e juros elevados, emprego e câmbio, somado à
dificuldade de crédito, o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado
de São Paulo (SindusCon-SP) revisou recentemente suas estimativas para baixo,
prevendo uma retração de 7% para o PIB da Construção em 2015 ante os 5,5%
projetados anteriormente. Se não bastasse a recessão, o segmento de construção
pesada está no centro das atenções da Operação Lava Jato e paralisado com falta
de perspectivas no médio prazo e quebra de contratos e inadimplência de grandes
clientes. Isso tudo depois de ter sido um dos setores da economia que mais
cresceram nos últimos anos, experimentando um boom nas vendas imobiliárias e
obras de infraestrutura entre os anos de 2009 e 2013.
Baseando-se nas projeções do Instituto Brasileiro de
Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV) para o PIB do Brasil, que
apontam retração superior a 2% neste ano, o SindusCon-SP estima quedas
significativas no nível de emprego gerado pela indústria da construção. Na
avaliação de José Romeu Ferraz Neto, presidente do SindusCon-SP, a indústria
está sofrendo diretamente os efeitos da crise econômica, que por sua vez está
sendo alimentada pela crise política. “O que se espera do governo são ações que
inspirem gradualmente a retomada da confiança. Perseverar no diálogo com o
Congresso, ajustar despesas sem elevar os tributos, cuidar do crédito à
produção e lançar a fase 3 do Programa Minha Casa, Minha Vida são algumas
dessas ações necessárias”, diz Ferraz Neto.
“O setor vive uma forte recessão. Teve uma queda de vendas
em 2014, que este ano se reflete no menor número de lançamentos imobiliários”,
avalia Marcus Grandeiro, engenheiro civil membro da Royal Institution of
Chartered Surveyors (RICS), instituição especializada na qualificação
profissional nas áreas de terras, terrenos, propriedades e construções. Segundo
Grandeiro, a expectativa é que as empresas lancem entre 20% e 30% menos
empreendimentos em 2015.
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Construtora Queiroz
Galvão
Diante desse cenário que dificulta análises consistentes e
também do fato de que alguns líderes do setor estão enfrentando perdas
estratosféricas, processos de recuperação judicial e sofrem com a
inadimplência, as líderes do setor de Construção e Serviços Especializados no
Brasil adotam estratégias distintas. A primeira e a segunda colocadas da
categoria, a Construtora Queiroz Galvão e a Atlas Schindler, partiram para a
diversificação. A Construtora Queiroz Galvão (CQG) encerrou 2013 como uma das
três maiores empresas brasileiras no setor, diversificando seu modelo de
negócios e incluindo na sua carteira uma participação significativa na
modalidade de PPP. O ano, segundo a companhia, foi marcado no Brasil por
avanços em obras de grande porte em variados segmentos – transportes,
refinarias, vias urbanas, saneamento, energia e mobilidade urbana.
Uma das prioridades da empresa em 2013 foi a busca de novos
negócios baseados nos formatos de PPP e do Regime Diferenciado de Contratação
(RDC). O RDC é uma modalidade de contrato criada pelo governo federal e que
envolve, entre outras demandas, obras necessárias para a Copa do Mundo de 2014,
os Jogos Olímpicos de 2016 (no Rio de Janeiro) e projetos do Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC). Esse tipo de contrato representou cerca de 11%
do faturamento da Construtora Queiroz Galvão em 2013. A participação dos
empreendimentos do setor privado ficou em 26%.
Na segunda colocação, a Elevadores Atlas Schindler, empresa
do grupo suíço Schindler, fundada há mais de 135 anos, atribui o bom desempenho
de seus negócios à confiança desenvolvida pelos clientes e pelo mercado na
marca Atlas Schindler. “Merece destaque também a nossa plataforma de produtos globais:
oferecemos aqui os mesmos produtos que entregamos em diversas grandes cidades,
como Nova York e Berlim”, afirma Andre Inserra, presidente da Atlas Schindler.
Na visão do executivo, a capilaridade dos negócios da empresa, com 3 mil
técnicos altamente capacitados atuando em mais de 150 postos de atendimento, é
outro diferencial em seu segmento.
Líder em transporte vertical no Brasil, a companhia fabrica,
instala, moderniza e presta serviços de manutenção em elevadores, escadas e
esteiras rolantes. Nos anos de 2013 e 2014, a empresa Atlas Schindler registrou
faturamento de R$ 1,76 bilhão e R$ 1,88 bilhão, respectivamente, com lucro
líquido totalizando R$ 434,9 milhões no ano passado no País. Inserra conta que,
para atender à demanda e manter os altos índices de qualidade da Atlas
Schindler, em 2014, a empresa promoveu fortes investimentos em suas instalações
e em máquinas e equipamentos destinados à implantação, fabricação e montagem de
novos produtos e modernização. “Também investimos em soluções de mobilidade
para a equipe técnica. Hoje, por meio de iPhones, os técnicos podem consultar
todo o histórico dos equipamentos, solicitar peças e registrar os serviços
realizados, acelerando expressivamente o processo de atendimento ao cliente.”
A Construtora Camargo Correa, uma das envolvidas na operação
Lava Jato, esteve em terceiro lugar no ranking QI, porém, não esconde as
dificuldades pelas quais passa. Em seu relatório anual, o presidente do
conselho de administração do grupo, Vitor Hallack, afirmou que “a Construtora
Camargo Corrêa ao longo de sua história de 75 anos acumulou larga experiência
na concepção, no desenvolvimento e na execução de projetos estruturantes na
área de infraestrutura. Com o apoio de especialistas externos, apurou e avaliou
os riscos e as vulnerabilidades do negócio e está se esforçando para colaborar
com as autoridades na necessária reformulação de seu setor, em busca de modelos
de participação em projetos privados ou públicos que permitam planejamento de
longo prazo e a consequente eficiência dos investimentos tão necessários ao
desenvolvimento do Brasil”. São visões como essas que fazem com que analistas
de mercado acreditem que quem aproveitar o momento atual poderá se destacar no
futuro, com mais lucratividade, transparência e produtividade.
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