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‘Sindicato’ de bancos financiará obras

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, deu o sinal verde para que as instituições financeiras organizem um sistema que garanta maior participação dos bancos privados – em especial – na oferta de crédito para empreendimentos de infraestrutura, como as concessões de rodovias e ferrovias.


Capitaneados pelo Banco do Brasil (BB), um grupo de instituições tem discutido a possibilidade de criação de uma espécie de “sindicato de bancos”, que se organizaria para levantar recursos e garantir financiamento aos empreendimentos.


Segundo um graduado integrante da equipe econômica ouvido pelo Estado, a ideia é criar uma modelagem financeira que permita garantir recursos com taxas mais baratas para viabilizar os investimentos necessários para essas concessões. Essa é uma das prioridades do ministro Mantega.


O sindicato funcionaria como uma espécie de consórcio. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que concentra hoje a maior parte da oferta de crédito de longo prazo, poderá apoiar com garantias. Além do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES, participam das discussões também bancos privados, entre eles o Itaú e o Bradesco.

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Desde o fim do ano passado, Guido Mantega vem mantendo várias reuniões com os dirigentes dos grandes bancos para construir um caminho que possibilite ampliação da oferta do crédito.


O ministro pediu ao presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, que coordenasse as discussões para a definição dessa modelagem.


Compulsório


Uma das ideias em discussão é negociar com o Banco Central a liberação de uma parte maior do dinheiro que fica obrigatoriamente guardado no Banco Central – os depósitos compulsórios – para ampliar a oferta de crédito para esses projetos de infraestrutura.


No fim do ano passado, o Banco Central autorizou o desconto de até R$ 15 bilhões do dinheiro que deveria ser recolhido pelos bancos aos cofres da autoridade monetária para bancar empréstimos de infraestrutura.


Os empréstimos seguirão as condições fixadas no Programa de Sustentação do Investimento (PSI), criado durante o ápice da crise financeira internacional de 2008 e 2009 para garantir crédito a custo mais baixo para investimentos.


Medida provisória, publicada esta semana no Diário Oficial, permitiu o acesso a esse crédito também para projetos que estiverem dentro do Programa de Investimentos em Logística, que trata de concessões de rodovias e ferrovias, além de recursos para compra de máquinas e equipamentos e inovação.


Segundo um dirigente de um dos bancos envolvidos, não há ainda uma modelagem definida. Várias alternativas estão sendo discutidas.


Uma das dificuldades é garantir os recursos com as taxas mais baixas, como TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo, atualmente de 5% ao ano) mais 1,5%, definidas nos projetos de concessão.


Além disso, cada banco tem a sua forma de atuação e o próprio modelo de avaliação de riscos dos projetos. É difícil padronizar esses modelos. “É uma montagem difícil de fazer”, disse o dirigente.

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