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Infraestrutura desafia capacidade de competição

O Nordeste tem sido, nos anos recentes, destaque em crescimento econômico no País. A melhora da renda atraiu empresas e ampliou o mercado de consumo na região. Ainda faltam, no entanto, investimentos em infraestrutura logística para apoiar esse crescimento, e garantir que ele se mantenha de forma sustentável.


O secretário do Planejamento da Bahia, José Sérgio Gabrielli, fez duras críticas à falta de mais recursos públicos e planejamento em logística, na quinta-feira, durante o evento Fóruns Estadão Regiões – Nordeste. Segundo ele, que era presidente da Petrobrás até um ano e meio atrás, sem esses avanços, o produtor nordestino não consegue competir em igualdade de condições com produtores de outros Estados, deficiência que atrapalha o crescimento virtuoso da região.


É preciso viabilizar os eixos frontais de logística da região. Nós (do Nordeste) não temos portos, nossas estradas são ruins. Se não houver transferência do governo não haverá condições econômicas viáveis para o crescimento. A questão política é relevante e fundamental, declarou.


Segundo ele, aportes privados não são problemas – mais de US$ 37 bilhões estão previstos para os próximos cinco anos, principalmente em projetos de mineração, energia eólica e celulose. Vamos exigir do governo federal mais recursos, enfatizou. Ele ressaltou que o Nordeste está fazendo um bom trabalho com o objetivo de desenvolver sua economia. O que estamos fazendo no Nordeste nos últimos 20 anos a Europa fez em 200 anos, disse, ressaltando que 96% das crianças entre 6 e 14 anos de idade estão nas escolas.

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O vice-presidente de habitação e governo da Caixa Econômica Federal, José Urbano Duarte, avaliou que há problemas de qualidade dos projetos apresentados ao banco para obtenção de recursos. Ele disse, no entanto, que a tendência é de melhora, o que deve ampliar a liberação de financiamentos. Precisamos melhorar, e muito, qualidade e capacidade de projetos para aprovar os recursos esperados, ressaltou.


No seminário, Duarte citou que a região tem R$ 16 bilhões destinados para projetos em execução no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), volume que deve aumentar por conta da qualificação de projetos.


Energia. O governador do Ceará, Cid Gomes, avaliou que o Brasil tem o desafio de ampliar a capacidade de geração de energia e considerou que a matriz hidráulica nunca foi tão contestada, principalmente com as obras de hidrelétricas em rios da Região Norte e em áreas indígenas. É preciso diversificação de matriz, com energia térmica para garantir a segurança e, principalmente, a eólica, afirmou.


Segundo ele, o preço do megawatt eólica, quando começaram as ofertas desse tipo de energia nos leilões, chegava a R$ 300 e, hoje, sai a R$ 90. O preço de energia eólica hoje é competitivo com energia hidráulica e há uma estrutura de fabricação de equipamentos para a produção dela no País. Cid Gomes considerou ainda que a energia solar deve seguir o mesmo caminho da energia eólica com queda de preços.


Investimento. Segundo o coordenador da Diretoria de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Aristides Monteiro Neto, a captação de recursos é grande nos Estados, com a liberação de R$ 40 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), mas investimentos estaduais ainda são baixos.


O setor privado cobra infraestrutura dos governadores e a taxa de investimento público estadual não cresceu muito. Em 2011, os investimentos públicos somaram R$ 6,5 bilhões, o que não da para atender às demandas, disse o coordenador do Ipea.


Indústria sente falta de mão de obra qualificada


Representantes dos segmentos de bebidas e construção se mostraram preocupados com a atual qualificação de mão de obra, durante o evento Fóruns Estadão Regiões – Nordeste, na quinta-feira. Acho que é consenso que o entrave para o crescimento do País é a educação. Estamos ficando para trás nesse campo, o que é motivo de preocupação para o futuro do Brasil, disse o vice-presidente de Relações Corporativas da Ambev, Milton Seligman.


Segundo ele, a Ambev achou uma solução caseira para tentar melhorar a qualificação de seus funcionários. Nós, Ambev, temos uma universidade corporativa, onde formamos todos os profissionais da companhia: desde chão de fábrica até MBA para diretores, com apoio do nosso centro tecnológico. Estamos superando as dificuldades com investimento próprio, declarou.


Já Hugo Nery, diretor de Operações do Grupo Marquise, maior construtora da Região Nordeste, lamentou a perda de referência na educação brasileira da escola pública. A Marquise não tem possibilidade de ter universidade própria, mas possui parcerias com instituições para qualificar sua mão de obra. Hoje falta engenheiro no País. São gargalos intransponíveis e se não houver política púbica – não só dinheiro, mas planejamento – fica difícil.


Ele ainda lembrou da inadequação da legislação e tributação de mão de obra no País. Precisamos mudar esse padrão, porque afeta nossos investimentos. O ambiente empresarial brasileiro é agreste, enfatizou Nery.


Gargalos. O diretor do Grupo Marquise avaliou que os gargalos de infraestrutura e educação limitam o crescimento brasileiro em 4% ao ano. No entanto, segundo ele, os gargalos da infraestrutura geram oportunidades de investimento para o grupo, o maior do setor de construção do Nordeste e terceiro maior do País em limpeza pública e aterros.


O executivo citou que o faturamento da companhia saiu de R$ 250 milhões para R$ 800 milhões, em 10 anos, com a expectativa de atingir, em 2014, R$ 1,3 bilhão. Além do investimento em shoppings centers, com o primeiro da empresa previsto para ser inaugurado em Fortaleza, Nery citou o avanço em incorporações.

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