Vendas maiores para a China e o aumento do preço do minério de ferro fizeram a Vale registrar lucro líquido de R$ 7,949 bilhões no terceiro trimestre deste ano. O resultado é 139% maior em relação ao mesmo período de 2012 e 855% superior ao segundo trimestre deste ano. O número veio acima da expectativa dos analistas, que projetavam ganhos de cerca de R$ 7 bilhões entre os meses de julho e setembro. Com a expectativa de um balanço forte, as ações ordinárias da Vale subiram 1,69%, a R$ 38,47. Os papéis preferenciais (sem voto) avançaram 1,38%, a R$ 34,44.
Embalada pela produção de minério de ferro e pelotas, que somou 83,6 milhões de toneladas entre julho e setembro – o terceiro maior resultado da história da companhia-, a Vale registrou uma receita operacional de R$ 29,517 bilhões, uma alta de 26,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Em comunicado, a companhia destacou que os preços do minério “surpreenderam”, com uma média de US$ 135,40 por tonelada nos nove primeiros meses deste ano, contra uma média de US$ 130 no ano passado.
No fim de setembro, a China respondeu por 50,2% das vendas de minério, contra 49,1% no trimestre anterior. Em receita, o gigante asiático foi responsável por 40,6% dos negócios da Vale (de R$ 11,978 bilhões), ante os 31,7% entre abril e junho. A Vale destacou que a expectativa é que o preço do minério “se mantenha estável pelos próximos meses, oscilando em torno de US$ 130 por tonelada”. No comunicado, a mineradora lembrou ainda que os estoques na China estão reduzidos e, por isso, há necessidade de estocagem de reposição para minimizar os riscos de menor abastecimento no futuro – que podem ser causados por eventos climáticos no Brasil durante a estação de chuvas.
Com vendas maiores e a um preço mais elevado, a mineradora registrou melhora em sua geração de caixa operacional, medida pelo Ebitda. No terceiro trimestre, foram R$ 13,478 bilhões – valor 31% maior em comparação ao segundo trimestre e 77,7% acima do mesmo período do ano passado.
Segundo Pedro Galdi, analista da SLW Corretora, a mineradora conseguiu superar as expectativas do mercado, já bastante elevadas. O desempenho foi melhor do que o previsto em vendas e produção.
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– O terceiro trimestre sazonalmente já é mais forte do que os outros. E as vendas foram ajudadas por um preço maior da tonelada do minério de ferro, que passou de US$ 93,90 no terceiro trimestre do ano passado para US$ 105,58 no terceiro trimestre deste ano – explica o analista.
Galdi ressalta, contudo, que o quarto trimestre costuma ser menos aquecido para a Vale, com uma desaceleração da demanda por minério de ferro no fim do ano, por causa dos feriados. Ele diz que a cotação da moeda americana também pode ser desfavorável.
Especialistas atribuíram ainda a melhora no resultado da Vale à política de corte de custos e despesas, que permitiu uma economia de R$ 5 bilhões entre janeiro e setembro deste ano:
– Os números de despesas e custos vieram bastante controlados, um indicador excelente para o mercado. Em termos operacionais, o balanço veio bom, como o mercado previa. Os preços do minério estão bem. Só níquel e fertilizantes continuam pressionados no mercado externo.
Outro analista, porém, chamou atenção para o fato de a Vale ter registrado alto custo em paradas e para a capacidade ociosa de suas minas. No terceiro trimestre, essas despesas somaram R$ 1,269 bilhão, alta de 33% ante o trimestre anterior.
Investimento menor
Em movimento contrário à produção do minério, a do níquel foi de 62 mil toneladas, 4,9% abaixo da registrada no segundo trimestre. Já a produção de carvão ficou estável, em 2,3 milhões de toneladas, mantendo o nível recorde. O cobre avançou 3,5%, passando de 91 mil toneladas para 95 mil toneladas.
Em vídeo publicado no site da empresa, o diretor-executivo de Finanças e Relações com Investidores da Vale, Luciano Siani, disse que a companhia tem conseguido “enfrentar o ambiente adverso graças ao seu excelente desempenho, tanto em produção quanto em contenção de custos”.
– O resultado foi mais de nove vezes superior ao registrado no segundo trimestre deste ano. Bem verdade que o segundo trimestre foi impactado pela desvalorização do real frente ao dólar, mas também foi cerca de 150% superior a igual período do ano passado – disse Siani.
Segundo ele, o ganho foi obtido graças à combinação de melhor resultado de produção e de custos. Siani citou “bons níveis de produção de níquel e de carvão, além de um recorde de produção de cobre”.
A companhia, no entanto, investiu menos. No ano, até setembro, foram investidos US$ 11 bilhões, redução de 10,5% em relação aos US$ 12,3 bilhões do mesmo período de 2012. No terceiro trimestre de 2013, os investimentos chegaram a US$ 3,4 bilhões, uma queda de 4,2% em relação aos de 2012. A dívida da companhia chegou a US$ 29,776 bilhões, abaixo dos US$ 29,863 no fim do segundo trimestre.
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