A cidade de São Paulo, que já possui a maior rede metroviária do Brasil, amplia ainda mais sua malha de transporte sobre trilhos na próxima semana com a inauguração da aguardada Linha 6-Laranja.
Construída pelo grupo espanhol Acciona e operada pela concessionária Linha Uni, a nova linha iniciará suas atividades em fase de Operação Assistida, ligando a Zona Norte à Zona Oeste por meio de seis estações. O percurso inicial terá duração aproximada de 20 minutos.
Segundo o Governo do Estado, estarão abertas ao público as estações João Paulo I, Freguesia do Ó, Santa Marina, Água Branca, SESC-Pompéia e Perdizes. Durante essa fase, o atendimento ocorrerá de segunda a sexta-feira, das 10h às 15h, sem cobrança de tarifa.
Na prática, a nova linha reduzirá o tempo de deslocamento em mais da metade quando comparado ao mesmo percurso realizado por ônibus. Além disso, os passageiros poderão realizar integração tarifária com a Linha 7-Rubi, operada pela TIC Trens, na estação Água Branca.
Como a operação será realizada em escala reduzida, apenas o acesso principal de cada estação estará disponível. Trens e estações contarão com comunicação visual orientando os passageiros, enquanto a circulação ocorrerá no sistema shuttle, com dois trens compartilhando a mesma via nos dois sentidos, em intervalos médios de 19 minutos.
As composições circularão a até 30 km/h em modo manual durante essa etapa inicial. No futuro, a operação será totalmente automatizada, seguindo o modelo adotado pela Linha 4-Amarela.
Duas novas estações ainda em 2026
Após o período de Operação Assistida, a previsão é de que, até dezembro, sejam inauguradas mais duas estações: Brasilândia e Itaberaba-Hospital Vila Penteado, elevando para oito o número de estações em funcionamento na Linha 6-Laranja.
Já em 2027, deverão entrar em operação o trecho entre Perdizes e São Joaquim, além da estação Maristela. Com isso, a linha passará a oferecer integração com as linhas 1-Azul e 4-Amarela, aproximando-se da configuração prevista no projeto original.
A única exceção poderá ser a estação 14 Bis-Saracura, cujo cronograma permanece indefinido. Durante visita técnica às obras realizada nesta sexta-feira (26), o diretor-presidente da ARTESP, André Isper, afirmou que a expectativa é colocar em funcionamento o trecho entre Brasilândia e São Joaquim em 2027, com pelo menos 14 das 15 estações originalmente previstas.
A estação 14 Bis-Saracura sofreu atrasos em razão de questões relacionadas ao licenciamento junto aos órgãos de preservação do patrimônio histórico, após a descoberta de vestígios arqueológicos durante as escavações.
“A 14 Bis não tem um cronograma específico, porque ela atrasou bastante por conta de uma questão de licenciamento histórico-cultural. Essa estação em específico eu não posso afirmar o prazo final. Talvez ela não seja inaugurada em 2027”, afirmou André Isper.
Sobre a Linha 6-Laranja
Resultado de uma Parceria Público-Privada (PPP) entre o Governo do Estado de São Paulo e a concessionária Linha Uni, a Linha 6-Laranja recebeu investimentos de aproximadamente R$ 19 bilhões.
O projeto prevê a ligação entre a Zona Norte e a região central da capital paulista por meio de 15 estações, atendendo também parte da Zona Oeste. Quando totalmente concluída, a expectativa é reduzir um deslocamento que hoje pode levar cerca de 1h30 para apenas 23 minutos.
Entre suas principais características está a profundidade de algumas estações, que estarão entre as mais profundas do sistema metroferroviário paulista. A solução foi necessária devido ao traçado da linha, que atravessa leitos de rios, áreas densamente urbanizadas e diversos cruzamentos com outras linhas do metrô.
Paralelamente, o Governo do Estado, a Acciona e a Linha Uni discutem a ampliação do projeto com a construção de mais seis estações. A futura expansão tem como principal objetivo levar a Linha 6-Laranja até o bairro da Mooca, ampliando o atendimento à Zona Leste da capital.





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