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Oeste-Leste terá primeiro trecho em 2012

O governo federal marcou para esta sexta-feira o lançamento do edital da ferrovia Oeste-Leste, um investimento de R$ 6 bilhões que ligará o litoral baiano a Tocantins, em um trajeto de 1,5 mil km. Da obra dependem investimentos bilionários em curso no setor de mineração e o desenvolvimento da produção de grãos no Oeste baiano. Em mineração, os principais negócios em torno da Oeste-Leste são a mina de Caetité, da Bahia Mineração (Bamin), projeto estimado em US$ 1,6 bilhão, e a Steel do Brasil, com planos de US$ 5 bilhões no norte de Minas Gerais, entre outros projetos em estudos na região.


O licenciamento ambiental para a ferrovia já está pronto e deve ser publicado nos próximos dias, diz Paulo Sérgio Passos, secretário executivo do Ministério dos Transportes, e o lançamento do edital já foi marcado para o fim da semana. Segundo o secretário, a obra é essencial para os projetos de mineração e a construção deverá começar exatamente pelo trecho de 500 km entre Ilhéus e Caetité, onde está o projeto da Bahia Mineração.


Pelo planejamento da Valec, estatal para projetos ferroviários do governo federal, o trecho entre Ilhéus e Caetité, de 536 km, ficará pronto em julho de 2012 e a continuação, até a Cidade de São Desidério, ainda na Bahia, sairá até 2013. O terceiro trecho, de 524 km, 410 km deles dentro de Tocantins, até a cidade de Figueirópolis, onde se cruza com a ferrovia Norte-Sul, ainda não tem prazo para ser inaugurado.


A projeção da Valec para a ferrovia é atingir 52 milhões de toneladas de carga transportada em 2018 – 45 milhões deles em minério de ferro. Em 2011, ainda sem chegar a Caetité, a ferrovia já transportaria 5 milhões de toneladas de minério, segundo a projeção da estatal. Em grão, a projeção é de chegar a 5,2 milhões de toneladas até 2018, a maior parte soja, e há previsão de outros 1,3 milhão de toneladas em açúcar e álcool.

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Para a estatal, a ferrovia tem importância comparável à ferrovia Norte-Sul e servirá, além de uma rota de escoamento da produção no Oeste da Bahia, como uma alternativa para as regiões produtoras hoje atendidas pela estrada de ferro Carajás. Somados à ferrovia, estão investimentos para a ampliação do Porto da Tulha, no norte de Ilhéus, que receberá o projeto chamado Porto Sul, já delimitado em uma área de 1,7 mil hectares.


A Bahia Mineração (Bamin), com controle dividido meio a meio entre a Zamin, do indiano Pramod Agarwal , e a ENRC, do Cazaquistão, montou a estratégia de seu projeto em torno da Oeste-Leste para para escoar uma produção prevista em 18 milhões de toneladas da mina localizada em Caetité.


O início de operação, com investimento orçado em US$ 1,6 bilhão, está previsto para o fim de 2012. Inicialmente, temendo não ter como escoar o minério, o grupo previa um mineroduto de mais de 500 km até o porto. A empresa desistiu dessa solução quando os governos federal e baiano incluíram no PAC a construção da ferrovia.


No encalço dos indianos veio a Minas Bahia Mineração. Batizado “Projeto Jibóia”, o plano de exploração de uma mina na região de Salinas, em Minas Gerais, foi recentemente adquirido pela Steel do Brasil, grupo de capital alemão. O novo dono tem planos ainda mais ambiciosos: quer investir US$ 5 bilhões para tirar de lá até 50 milhões de toneladas de minério ao ano.


Segundo o presidente da Steel, Juarez Saliba, a Oeste-Leste, via de escoamento da produção, pode chegar a uma capacidade de 150 milhões de toneladas, apenas acrescentando material rodante à linha e de sinalização. A capacidade de minério da ferrovia de Carajás, da Vale, já passa hoje de 100 milhões de toneladas, diz o executivo da Steel.

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