Com investimentos que variam entre R$ 6,3 bilhões e R$ 7 bilhões, a Agência Nacional De Transportes Terrestres (ANTT) apresenta 3 propostas de traçado para o trecho ferroviário que liga Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso, a Campinorte, Goiás. As informações sobre o trajeto de 1,065 mil quilômetros (km) da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), que corta 16 municípios, sendo 9 mato-grossenses, foram debatidas durante uma audiência pública realizada nesta quarta-feira (14) em Cuiabá.
Estudos preliminares de engenharia, de demanda, e relacionados a questões sociais e ambientais também foram apresentados no evento aberto a população. Já o prazo para a entrega por escrito das sugestões para a elaboração do edital de concessão do trecho termina hoje (15). Luciano Pepe, especialista em Regulação da Superintendência de Infraestrutura e Serviços de Transporte Ferroviário de Carga (Sufer) da ANTT, explica que, após as contribuições, que serão analisadas e respondidas, com inclusão ou não no projeto, a ANTT vai partir para os procedimentos da licitação para exploração Ferroviária do trecho. A obra faz parte do Programa de Investimentos em Logísticas, lançado em agosto do ano passado pelo governo federal.
Conforme o especialista, a novidade nesta concorrência é o modelo de concessão, onde passará a existir a figura do operador ferroviário independente – uma das formas de reduzir o monopólio da empresa construtora.
O secretário de Acompanhamento da Logística Intermodal de Transportes (Selit), Francisco Vuolo, ressalta que o novo modelo institui o direito de passagem. “Se um empresário tiver uma locomotiva poderá transitar pela Ferrovia pagando o pedágio”, diz Vuolo.
Para o setor produtivo, o custo do frete na Ferrovia poderá chegar a 60% do que é pago no transporte rodoviário. O novo modelo de concorrência torna essa redução possível na avaliação do diretor executivo do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz, porque a carga (produção) será adquirida pelo governo federal, que fará a contratação de transportadores interessados. “Vai evitar o monopólio natural que o modelo antigo provocou porque a empresa hoje é detentora da linha e faz a operação”. Quando a previsão de frete mais barato para os portos do norte for concreto, segundo o presidente da Fiemt, Jandir Milan, o custo de transporte de mercadorias das indústrias mato-grossenses para o sul e sudeste do país também deverá diminuir. “A Ferrovia vai viabilizar tanto a agricultura, quanto a indústria. Colocar a produção nos portos do norte vai provocar uma menor pressão nos portos do sul e sudeste”.
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