Imagens cedidas por moradores de Santa Adélia, no interior de São Paulo, mostram como eram feitos os saques a trens carregados de soja. A polícia já começou a ouvir os envolvidos.
O trem mal consegue passar, de tanta soja na linha. O maquinista é obrigado a parar. São toneladas de grãos no meio do caminho.
Quem está por perto comenta. “Vamos ensacar, aproveita que está parado”.
Uma mulher comemora. “Caiu mais de dois mil sacos de soja. Olha que beleza o povão trabalhando”. As pessoas até acenam para a câmera, e há crianças entre elas.
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Outra gravação mostra dezenas de moradores e sacos já carregados com soja. A mesma mulher se orgulha da quantidade de grãos que foi furtada. “Até lá embaixo, fora o caminhão que já saiu cheio. É meu, olha que maravilha”.
Os vídeos vão ser entregues à polícia, que investiga o saque de trens na cidade de Santa Adélia. Segundo as investigações há mais de 50 pessoas envolvidas no esquema, que funcionava há pelo menos dois anos.
Todas já começaram a ser ouvidas pela polícia e devem ser indiciadas por furto, formação de quadrilha e receptação. Nas casas de moradores, mais de 50 toneladas de soja já foram apreendidas. Em uma delas, estavam ferramentas usadas para retirar os lacres dos vagões. O produto era revendido por um preço bem abaixo do praticado no mercado.
“A gente precisa descobrir, através dessas pessoas que trabalhavam no trilho, para quem passavam essa mercadoria”, afirma o delegado João Vagner Bertoncello.
A empresa que administra as ferrovias no interior de São Paulo disse que a segurança dos trens foi reforçada para impedir a ação dos saqueadores.
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