O KfW Bankengruppe (instituição de fomento alemã, equivalente ao nosso Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, BNDES) planeja nos próximos anos dar apoio de 837 milhões de euros a serem aplicados em vários projetos de companhias alemãs no Brasil, em especial (mas não apenas) aqueles ligados de alguma forma às obras necessárias à realização da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016. Os setores ferroviário e de aviação civil (para os quais estão indo 186,1 milhões de euros), infraestrutura e transportes (116,2 milhões de euros) e indústria básica (75,6 milhões de euros) serão alguns dos contemplados.
O KfW também planeja aportar 57,6 milhões de euros no setor local de energias renováveis, área na qual a Alemanha é líder mundial. Com isto o Brasil – que já abriga a segunda maior concentração de empresas alemãs do planeta, só perdendo no ranking, é claro, para a própria Alemanha – verá um crescimento de 20%, aproximadamente, da presença de capital germânico em seu território, segundo projeção inédita obtida pelo DCI junto à Demarest & Almeida Advogados, escritório especializado em assessoria e advocacia econômica.
“As empresas alemãs querem investir também na expansão da hotelaria local para a Copa e as Olimpíadas. Outro foco delas por aqui será o fornecimento de soluções tecnológicas para a construção civil”, afirma Andre Alarcon, advogado da Demarest que presta consultoria a companhias alemãs que querem vir para o Brasil.
Hotéis flutuantes
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Presente ontem em São Paulo em evento organizado pelo grupo Demarest, em conjunto com o escritório alemão de advocacia corporativa Noerr, Henrique Meirelles, hoje presidente da Autoridade Pública Olímpica, observou que provavelmente as empresas nacionais assumirão a maior parte das obras de infraestrutura necessárias aos megaeventos esportivos que nos aguardam, pois têm forte expertise no setor. “No entanto”, ponderou ele, “tudo isto terá de ser financiado, e aí vejo um largo espaço para a presença de investimentos estrangeiros diretos no País, até porque estes recursos vêm junto com as empresas internacionais, justamente para apoiá-las”.
“Recente levantamento apontou que existem hoje no Rio de Janeiro 24.500 quartos de hotel disponíveis: é muito pouco para uma cidade que irá sediar as Olimpíadas. Financiar a expansão deste setor no município vai exigir recursos nacionais e internacionais, além de alguma criatividade”, exemplificou Meirelles. Aliás, o ex-presidente do Banco Central contou que, por ocasião dos Jogos Olímpicos, devem ser ancorados no porto do Rio navios que funcionarão como hotéis flutuantes para turistas. Essas embarcações oferecerão 10.00 quartos extras à cidade na ocasião.
Arenas
São várias as companhias alemãs da área de infraestrutura que preparam seu desembarque no Brasil, ou o aumento de suas operações aqui. A Ceno Tec, por exemplo, é especialista na construção de cobertura de grandes estádios e está de olho nas gigantescas arenas que estão sendo erguidas nas cidades-sede da Copa de 2014. Há também a E-On, companhia de energia que pode ingressar no mercado brasileiro de geração e distribuição elétrica, e a Vossloh AG, empresa fabricante de equipamentos ferroviários que estuda abrir uma filial por aqui. Isto sem contar companhias de outras áreas, como a BMW (que provavelmente erguerá em breve sua primeira fábrica local) e a Melitta (que também é alemã e está expandindo suas operações no Brasil).
Tanta movimentação tem tornado agitada a vida de Brunela Vieira De Vincenzi, advogada brasileira que trabalha, na Alemanha, para o escritório Noerr. “Praticamente todos os dias uma nova empresa de lá me procura atrás de informações sobre como se instalar no Brasil”, revela ela. “Tenho dito a estas companhias que o ideal é abrirem fábricas no País, ou ao menos grandes escritórios de representação, se quiserem participar das obras para as Olimpíadas, por exemplo”. Brunella pontua que as empresas alemãs são fortes na gestão de estádios, especialização que será muito demandada depois do surto de construção de arenas que os megaeventos estão gerando no Brasil. “Mas tenho notado que elas se preocupam em saber se haverá contrapartida do governo brasileiro aos investimentos que fizerem em infraestrutura”, declara ela.
“O Brasil atual tem US$ 350 bilhões de reservas e uma inflação anual que permanece contida dentro da meta já há oito anos. Temos também um sistema judiciário independente e uma imprensa livre e atuante. Somos parceiros confiáveis”, diz Meirelles, e finaliza: “Investimentos em infraestrutura são investimentos de ciclo longo. Daqui a alguns anos, as companhias estrangeiras e nacionais vão se dar conta de que valeu a pena apostarem neste setor em nosso país”.
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