Reconhecidamente, o Brasil está passando por um período de crescimento econômico que se espera ser sustentado. No entanto, este crescimento poderá ser limitado por problemas estruturais crônicos, entre os quais o sistema de transporte de cargas, realizado predominantemente por via rodoviária. O aumento do volume de cargas transportado acentuará os problemas já existentes na maioria das rodovias brasileiras, demandando duplicação e mesmo construção de novas rodovias. Certamente, as perdas materiais e humanas tornarão o quadro atual ainda mais crítico.
Considerando-se este cenário, seria oportuno acelerar a mudança da matriz de transporte de cargas através da construção de ferrovias modernas, em um sistema integrado com o transporte rodoviário, hidroviário e aeroviário. As principais ferrovias deveriam ser construídas com características que possibilitem o tráfego de trens de média a alta velocidade, viabilizando, também, o transporte de passageiros. Para o transporte de cargas, poderia ser enfatizada a utilização de vagões com capacidade para transportar caminhões com carga, mantendo a agilidade logística que apresenta este tipo de transporte e diminuindo a exposição dos motoristas às condições de alta periculosidade das estradas e ao excesso de horas de trabalho, principalmente no horário noturno.
Em termos de execução das obras, ao governo federal caberia a construção dos principais troncos ferroviários, e aos governos estaduais, individualmente ou de forma associada, as ferrovias de ligação. A operação e manutenção da malha ferroviária deveriam ser realizadas por concessionárias, de forma similar às concessões rodoviárias. Os serviços de transporte de cargas e de passageiros, por sua vez, seriam oferecidos por empresas seguindo normas definidas pela respectiva agência reguladora, de forma a estabelecer concorrência e possibilitar a redução dos custos de transporte, refletindo-se positivamente em toda a economia.
* Milton da Veiga é pesquisador e professor
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