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A luta pelo trem

Cuiabá aguarda há muitas décadas pela chegada dos trilhos. Nem mesmo a injustificada demora para a execução da obra ferroviária desmotiva a luta da Capital mato-grossense pela Ferrovia Senador Vicente Vuolo, que a ligará ao litoral atlântico no porto de Santos.


Essa antiga luta tem hoje um interessante capítulo. O governador Silval Barbosa acompanha o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos; o presidente do Departamento Nacional de Infraestrtura de Transportes (DNIT), Luiz Antônio Pagot; outras autoridades; e a direção da América Latina Logística (ALL) numa vistoria à obra da ligação ferroviária em andamento no sul de Mato Grosso entre as cidades de Alto Araguaia e Rondonópolis.


A vistoria não é a única agenda do governador com o ministro e seus acompanhantes. Silval discutirá com Paulo Sérgio Passos todas as alternativas possíveis para que os trilhos tão logo cheguem em Rondonópolis – estima-se que isso aconteça no final de 2012 – prossigam para Cuiabá, como prevê o projeto global da obra e como estabelece a concessão outorgada pelo governo federal ao grupo da ALL.


A execução dos trabalhos de colocação dos trilhos e outras obras de engenharia civil entre Alto Araguaia e Rondonópolis, numa extensão de 251 km, avança em ritmo satisfatório e dentro do cronograma. Porém, acima daquela cidade ainda não há sequer definição de trajeto e licenciamento ambiental, o que mantém a ferrovia da ALL somente como proposta, porém, sem nenhuma ação concreta para sua viabilização.

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Além de não ter projeto nem licenciamento entre Rondonópolis e Cuiabá, a ferrovia não tem mais concessionária para sua exploração após conclui-la. Isso, porque a ALL desistiu de levar adiante o direito de operar os trilhos acima do local onde construirá seu terminal de embarque de grãos rondonopolitano.


Silval sabe que a conquista da ferrovia é luta muito árdua, mas nem por isso inviável. Para tanto, terá que contar com apoio político do presidente Lula da Silva e convencer o setor empresarial – inclusive internacional – da viabilidade econômica da exploração do corredor ferroviário que assegurará a mais importante rota para a região central de Mato Grosso escoar commodities agrícolas, receber combustível procedente da Refinaria Planalto em Paulínia (SP) e para integrar o multimodal de transporte entre a Zona Franca de Manaus e o centro industrial e consumidor do eixo Rio-São Paulo.


A conquista da ferrovia para Cuiabá requer exercício de paciência. Para tanto será preciso cumprir etapas, sendo uma a chegada do trem ao futuro terminal de embarque de grãos em Rondonópolis.


Passo a passo respeitando o meio ambiente e ao mesmo tempo superando barreiras ambientais, atraindo investidores inclusive internacionais e mantendo permanente costura política nos mais altos escalões do governo em Brasília, Silval tem tudo para ocupar importante lugar na história de Cuiabá na condição de governador que fez o trem apitar no centro geodésico do continente.

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Fonte: Diário de Cuiabá – Editorial

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