Um consórcio formado por dois fundos de pensão do Canadá ganhou a licitação na Inglaterra para operar por 30 anos a linha de alta velocidade High Speed One, que liga a estação londrina de Saint-Pancras ao Túnel sob o Canal da Mancha, com 109 quilômetros, por 2,4 bilhões de Euros. Os fundos canadenses são o Omers (Sistema de Previdência dos Funcionários Municipais de Ontario) – com patrimônio de 36 Bilhões de Euros – e o OTPP (Fundo de Pensão dos Professores de Ontario) – com patrimônio de 72 Bilhões de Euros.
A empresa Eurotunnel (que tem a concessão do túnel sobre o Canal da Mancha), também se candidatou, formando um grupo com o Banco Goldman Sachs e CDC Infrastructure (Fundo de Investimento de Infraestrutura da Caixa de Depósitos e Consignações francesa). “Mesmo a Eurotunnel não sendo sido escolhida, o gestor da High Speed One terá interesse em atrair o maior tráfego possível. Como esse tráfego passará pelo Túnel sob o Canal da Mancha, a boa notícia é que isso é igualmente benéfico para a Eurotunnel”, disse um porta-voz do grupo.
Atualmente, circulam pela linha os trens Eurostar, e desde 2009, os trens regionais operados pela Southeastern, operador ferroviário do sudeste de Londres (do qual o grupo francês Keolis, filial da SNCF, possui 35%). Mas a alemã Deutsche Bahn já anunciou que pretende chegar com seus trens a Londres. Outro motivo de satisfação para a Eurotunnel é o preço da concessão, que acaba por valorizar consideravelmente, segundo o grupo, a própria concessão do Túnel sob o Canal da Mancha. “Se esse trecho de 100 km é avaliado em 2,1 bilhões de libras, isso permite dar uma idéia do valor da Eurotunnel, já que as duas são contíguas.”, enfatizou a porta-voz.
A licitação mostrou o interesse crescente dos fundos de pensão pela infraestrutura ferroviária. Segundo Alain Bonnafous, professor emérito da Universidade Lumière – Lyon 2, essas estruturas financeiras buscam alocar recursos em investimentos de longa maturidade. No longo prazo, as infraestruturas ferroviárias são investimentos que, mesmo apresentando rentabilidade modesta, permitem a alocação do dinheiro sem riscos excessivos, com perspectivas apropriadas de cobertura do risco inflação. “Os fundos de pensão se interessam pelos rendimentos lentos, mas longos. Uma infraestrutura ferroviária apresenta a característica de estar suscetível a capturar dinheiro no longo prazo e de possuir mecanismos de alta de tarifas que seguem a
inflação”, argumentou Allain Bonnafous. Levando em conta essas operações financeiras, as concessões são cada vez mais longas.
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