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Speedelia, o novo AGV da Alstom

RF-Berlim – “Nós acharíamos melhor com truques articulados, mas se o cliente quer seu trem com truques convencionais, vamos fazer o quê?” A pergunta, feita a si mesmo, é do gerente de Vendas e Marketing da Alstom Transport, Fernando Sunyer Maclennan. A pedido da Trenitalia, a Alstom vai fabricar 50 unidades de oito carros da mais nova versão do AGV, chamada Speedelia, capaz de transportar 600 passageiros a 350 km/h, apresentada ainda em maquete durante a InnoTrans, que se realiza esta semana em Berlim.


O truque articulado, colocado entre dois carros — característica tanto do AGV como do seu predecessor TGV — tem a vantagem principal, segundo Maclenna, de dar maior segurança, conservando o alinhamento do trem em caso de descarrilamento. Além disso, diz ele, proporciona mais conforto, uma vez que fica situado entre os carros, transmitindo menos vibração e ruído aos passageiros sentados na cabina; e diminui o número de truques por trem, reduzindo o custo.  Entretanto – e é aí que a coisa pega – menos truques significam menos eixos e, portanto, peso maior exercido sobre a via.


Um AGV pesa 17 toneladas por eixo. Maclenna não soube dizer qual será o peso por eixo do Speedelia, mas sabe-se que um Shikansen série 700, o mais novo modelo japonês, que tem dois truques por carro, pesa 10,9 toneladas por eixo, uma diferença apreciável e que influencia o custo da via e das obras de arte.  Ele recusa a comparação: “o sistema japonês é completamente diferente e não pode ser cotejado com os sistemas europeus”. Entretanto, o certo é que a Trenitalia preferiu os dois truques por carro e que a Alstom vai fabricá-los. 50 trens de alta velocidade, com 400 carros, não são uma encomenda desprezível.


 Train-tram


Outro lançamento de material rodante da Alstom, também em maquete,  apresentado na InnoTrans foi o Citadis Dualis, um VLT capaz de operar também como trem regional, para distâncias até 100 km, capaz de desenvolver 100 km/h.


“É um VLT Citadis com truques reforçados, toilete a bordo, sinalização e frenagem de trem, capaz de operar dentro das cidades e ao mesmo tempo de fazer ligações com cidades próximas. Não chega a ter o conforto e a velocidade de um trem interurbano, mas é definitivamente mais do que um veículo urbano. Chamamos de train-tram (trem-bonde)”.


A Alstom parece ter grandes expectativas em relação a este equipamento. Na França, as cidades de Nantes e Lion já encomendaram 200 unidades. Mas é no exterior que a empresa espera colher os maiores resultados. Segundo o presidente da Alstom Transport, Philippe Mellier, na entrevista coletiva concedida ontem, “a Alstom deixou de ser um simples player internacional para se transformar num player multi-geográfico, cobrindo todos os aspectos da indústria ferroviária”. Atualmente, a Alstom obtem 80 % do seu faturamento fora da França. Ele mencionou as Américas, Rússia, Índia, Austrália, Marrocos, Argélia e Arábia Saudita. A China “é mais uma oportunidade do que uma ameaça”.  Só criticou o Japão, “onde 99 % do mercado é atendido por fornecedores locais. Tal situação não deveria mais existir”.


Na área externa, a Alstom mostrou o novo Pendolino ETR-610, fabricado sob encomenda da SBB suíça, a locomotiva Prima II e o trem regional Coradia Continental.

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