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Ferroviários cruzam os braços por melhorias

Um protesto paralisou 82 maquinistas e manobradores da Novoeste, ontem. Eles reivindicam melhorias nas condições de trabalho. A Novoeste é controlada pela ALL (América Latina Logística).


Ao invés de conduzir locomotivas, aproximadamente dez funcionários faziam piquete silencioso durante a manhã no pátio da ferrovia, na avenida Alfredo Maia. Cargas de minério de ferro, óleo, combustível, produtos siderúrgicos e açúcar ficaram estocadas em vagões parados, segundo trabalhadores.


Apesar do protesto, um trem partiu de Bauru às 6h30 para Três Lagoas (MS). Em média, seis composições partem por dia. Trabalhadores e ALL não confirmaram, até o fechamento da edição, quantos trens não saíram ontem.


A expectativa dos manifestantes era bloquear todo o transporte, forma de protesto por sobrecarga. “Tem maquinista trabalhando até 31 horas seguidas. Cobramos jornada diária de oito horas”, disse Roque Ferreira, que preside o Sindicato dos Ferroviários de Bauru, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.

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Os ferroviários também pediam a contraprova do cartão de ponto, o recebimento antecipado de diárias para cobrir hospedagem e alimentação e o pagamento de adicionais noturno e ainda de periculosidade.


O maquinista Nilton Pereira, 44 anos, reclama que a falta de conservação dos trilhos obriga a andar em baixa velocidade — sete quilômetros por hora, em média. Ele diz levar 28 horas para conduzir trem até Três Lagoas, a 418 quilômetros de Bauru.


Uma reunião arrastou-se até 18h, quando a paralisação terminou com o compromisso da empresa de não ultrapassar 12 horas diárias para maquinistas; garantir intervalo de almoço entre quarta e sexta horas; acertar diárias atrasadas e rever adicionais. Funcionários comprometeram-se a voltar ao trabalho às 7h de hoje.


A ALL diz que nenhuma composição deixou de funcionar e reitera que acertos pendentes serão efetuados no dia 8 de janeiro.


Distância da família marca maquinista pai de 3 filhos
Dentre as reivindicações dos ferroviários, está uma folga de 24 horas no sexto ou sétimo dia de trabalho. Segundo eles, essa folga só estaria ocorrendo no oitavo dia. Uma das explicações para o pedido dos trabalhadores é a distância da família. Alguns, como o maquinista Mauro Epifânio, 45 anos, passam dias longe dos filhos – os dele ele tem 6, 19 e 22 anos. “Quem é pai de criança pequena não vê o crescimento do filho. Ficar menos tempo fora permitira ter uma vida social melhor também, que não temos hoje.” Epifânio é contra uma possível proposta de maquinistas trabalharem sozinhos nas locomotivas – atualmente, têm um ajudante. “Além de demissões, você não sabe o que pode acontecer no trecho e como resolver sozinho.”


Empresa diz adotar ‘medidas necessárias’ para evitar acidentes
Em recente declaração para o BOM DIA, a ALL afirma que também adota “medidas necessárias” para evitar acidentes com riscos de danos ambientais.


Responsável pela Novoeste desde maio deste ano, a empresa alega que as condições do trecho eram “péssimas” e que foram realizadas ações para diminuir perigos.


Computadores de bordo dão maior controle à operação
A ALL diz, ainda, que em 100% das locomotivas há computadores de bordo instalados para dar maior controle às operações ferroviárias de sua malha.


Para os próximos quatro anos a empresa informa que serão investidos R$ 2 bilhões em trilhos e dormentes, tecnologias e treinamentos para reduzir riscos.

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Fonte: Bom Dia Bauru (SP)

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