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Eldorado do aço no Rio

Quem já esteve em garimpos de ouro ou plantações tocadas pelo trabalho de bóias-frias vai identificar aqueles mesmos olhares esperançosos no meio do nada, homens e mulheres desconfiados, sorridentes, apressados, as botas tingidas com terra vermelha, capacetes brancos, as mãos sempre ocupadas, a cabeça no futuro, a capacidade de tornar um enorme canteiro de obras em segundo lar. No novo eldorado aberto a ferro e fogo no Distrito Industrial de Santa Cruz, Zona Oeste do Rio, na divisa com Itaguaí, não há insalubridade nos alojamentos, nem jornadas escravas e o emprego não tem nada de marginal. Testemunhas e atores de um novo tempo, 18 mil trabalhadores ajudam a transformar nove quilômetros quadrados de poeira em um gigantesco pólo siderúrgico, que quando começar a operar, daqui a um ano, empregará 3,5 mil pessoas e deverá gerar outros 15 mil empregos indiretos.


Santa Cruz, que na década de 1930 era reverenciada como Celeiro do Distrito Federal, sediará agora as instalações do que está sendo chamado de Gigante de Aço, codinome da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), que vai tornar o estado do Rio o maior pólo produtor de aço da América Latina. A partir de março de 2009, a CSA produzirá 5 milhões de toneladas de chapas de aço por ano para exportação — volume suficiente para elevar em 40% a exportação brasileira do produto. Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, subir amanhã, às 10h, no palanque improvisado no imenso canteiro de obras, máquinas e operários vão parar, mas por pouco tempo. Assessores do Palácio dizem que, acostumado a falar para peões desde os tempos das greves no ABC paulista, Lula quer que esse seja um discurso que marcará seu segundo mandato.


Não é para menos. Os números são de fazer sorrir até economista da oposição. A CSA é o maior investimento privado do Brasil e o maior dos últimos 10 anos no país. Não há nada na América do Sul semelhante aos 3 bilhões de euros (cerca de R$ 8 bilhões) de investimentos previstos no negócio, uma parceria da multinacional alemã ThyssenKrupp Steel, uma das maiores produtoras de aço na Alemanha e no mundo (90%) com a brasileira Companhia Vale do Rio Doce (10%), que entrará com o minério de ferro.


No chão de terra batida, o entra e sai de caminhões é impressionante. O projeto contempla, por exemplo, a construção de um porto com dois terminais — um responsável pelo recebimento de 4 milhões de toneladas/ano de carvão mineral e outro pelo escoamento da produção de placas de aço. A ponte de acesso ao Terminal Portuário de Sepetiba está pronta. A região já está transformada e trabalhadores de municípios vizinhos ao empreendimento vão ocupando, uma a uma, as vagas para engenheiros de pátio de minério, de lingotamento contínuo, operadores de ponte rolante líquida aciária, mecânicos de oficina aciária, de alto forno, pintores de tubulações, eletricistas, e toda uma variedade de empregos. Como é comum em megaempreendimentos, há até expatriamento de estrangeiros, especialmente chineses, fazendo chover pedidos de vistos temporários de trabalho sobre a mesa do ministro do Trabalho, Carlos Lupi.

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Petroquímica
O Rio ainda receberá ali perto o maior investimento da história da Petrobras, o futuro Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), orçado em R$ 30 bilhões, que será construído numa área de 45 milhões de metros quadrados, além da ampliação do Porto de Itaguaí e da construção do chamado Arco Rodoviário, que fará ligação direta entre o Porto de Itaguaí e o outro lado da baía.


O início das obras de terraplanagem do Comperj também contará com a presença do presidente Lula, no próximo dia 31 de março. Também está programada para Santa Cruz a nova usina da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), com um custo total de R$ 7,5 bilhões e previsão para início de produção em 2011. Itaguaí é hoje uma região privilegiada, devido ao porto, um dos melhores do país, com o maior calado (profundidade para atracação), à excelente ferrovia, e à

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Fonte: Correio Braziliense

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