As exportações foram o tema central durante a inauguração do Complexo Agroindustrial da Perdigão, na manhã de ontem, em Mineiros, no sudoeste do Estado (423 km de Goiânia). A solenidade contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que frisou a posição do País de líder do comércio mundial de carnes. “O Brasil não é mais da periferia neste setor, é o maior exportador de carnes do mundo”, afirmou. O governador Alcides Rodrigues, que acompanhou o presidente na visita a Goiás, aproveitou, também em discurso, para cobrar a obra da Ferrovia Leste-Oeste, que passaria pela região de Mineiros e a ligaria aos principais portos. “Vou fazer a cobrança de um grande sonho. A ferrovia está parada há 80 km daqui e espero que ela possa prosseguir cortando o sudoeste goiano e ir de encontro aos grandes portos exportadores deste País”, ressaltou, sendo aplaudido por boa parte dos cerca de 150 presentes no auditório da empresa.
Antes do discurso do governador, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, lembrou que 80% do que for produzido na unidade da Perdigão inaugurada ontem deve ser destinado ao mercado externo. Por esse motivo, apontou a necessidade de melhorar a infra-estrutura para o escoamento da região e citou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) como capaz de solucionar este problema. “Vamos ter de diminuir a distância de Mineiros para o Oceano Atlântico”, afirmou.
O presidente da Perdigão, Nildemar Secches, pediu a Lula que promova o fortalecimento do Ministério da Agricultura. “O Brasil precisa investir em qualidade na sanidade animal e segurança no setor da criação de aves, suínos e bovinos”, lembrou. O presidente brincou dizendo que, no panorama mundial de exportação de carne, o Brasil está na condição de time grande e, sendo assim, quando um país conquista condição de grande exportador, a fiscalização, concorrência e disputa aumentam. “Veja quando a seleção brasileira joga com qualquer time, por pior que seja, eles querem derrotar o Brasil.”
Sobre os casos de aftosa, Lula chegou a propor que o criador de um rebanho contaminado fosse responsabilizado. Sugeriu que existem novas tecnologias e que é preciso estabelecer reuniões periódicas entre governo e cadeia produtiva. Lembrou também da crise passada pelo setor agropecuário em 2006 e afirmou que é preciso consolidar políticas regulatórias para evitar perdas de safra causadas por condições climáticas. “Não sei como há 30 anos atrás não havia o seguro agrícola; agora nós temos.”
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O superávit do País em relação a outros parceiros comerciais também foi lembrado. Para Lula, é preciso importar para equilibrar a balança comercial. O presidente citou os exemplos de México e Venezuela, países com déficit de US$ 3 bi em relação ao Brasil.“Os empresários de lá se queixam que o país deles compra muito de nós e também querem vender, porque negociar é assim; toda vez que você vai vender, o lado de lá também quer fazer o mesmo”. Sobre a Venezuela, afirmou que “eles só têm o petróleo e dele nós não precisamos, mas vamos ter de comprar alguma coisa”.
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