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Maquinista está ´recuperado´ psicologicamente

 


 


 


G1


A morte de uma mulher de 35 anos atropelada por um trem da CPTM na Grande São Paulo após tentar salvar seu filho, na noite de sábado (9), chama a atenção para o risco que moradores da região enfrentam diariamente ao cruzar a linha. Se por um lado, às margens dos trilhos, moradores se dizem assustados com os acidentes, na condução dos trens, maquinistas que não conseguem evitar as mortes ficam traumatizados.


Em 23 anos na profissão (12 deles na CPTM), o maquinista Edson Gutierrez, de 47 anos, atropelou dez pessoas. Um dos episódios mais dramáticos ocorreu em 1987. O dirigente sindical lembra ter atropelado duas crianças e, poucos metros adiante, a mãe delas, que se desesperou e correu na direção do trem quando soube que as crianças foram mortas.
 
“Os acidentes produzem seqüelas que vão repercutir lá na frente. Após esse acidente, eu estava muito nervoso, e comecei a ter vertigens, tonturas, como se fosse desmaiar. Fui a um médico que me disse: ‘Você não está em condições de conduzir um trem com dois mil passageiros’”, relembra Gutierrez que, na ocasião, ficou afastado por seis meses para um tratamento psiquiátrico na rede pública.


Atualmente dirigente sindical, Gutierrez relata que é comum maquinistas da CPTM atropelarem pessoas que circulam irregularmente na linha do trem. Nesses casos, os condutores não conseguem brecar a tempo. A orientação da CPTM aos maquinistas é reduzir a velocidade e buzinar nos trechos conhecidos como de “travessia irregular”.

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Segundo o gerente de segurança da CPTM, Leopoldo Corrêa, em casos de atropelamentos, os maquinistas são atendidos por psicólogos e podem ser afastados temporariamente do serviço. Ao retornar à função, eles são submetidos a exames e a um estágio de readaptação, diz ele.


Entretanto, Gutierrez cobra que os maquinistas sejam encaminhados pela empresa de trens a uma análise psicológica e psiquiátrica “mais profunda”, porque os traumas são cumulativos. “Hoje me julgo recuperado. Tenho consciência de que (os atropelamentos) ocorreram no exercício legal da função. Se eu atropelei dez pessoas, já pude evitar mais de 100 acidentes buzinando ou brecando”, afirma. Apesar dos atropelamentos, ele acrescenta que nunca pensou em desistir da profissão.
 
Medidas


Em nota divulgada no final da tarde da terça-feira (12), a CPTM informou que adotou uma série de medidas para reduzir o número de atropelamentos em suas vias.
 
Entre elas, estão a construção de uma passarela metálica na região de Rio Grande da Serra, na Linha D (Luz-Rio Grande da Serra); a construção de 1.000 metros de muro no mesmo trecho; construção de 4.500 metros de muro e passeio público nas estações Mauá e Guapituba, na Linha D, Presidente Altino e Itapevi, na Linha B (Júlio Prestes-Itapevi), e Vila Clarice, na Linha A (Luz-Francisco Morato); intensificação da ronda de equipes de segurança na linha férrea; e instalação de placas informando sobre o risco que o usuário corre ao andar na via férrea.

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Fonte: G1

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