Os produtores de grãos nas áreas de fronteira agrícola poderão ter uma nova alternativa de escoamento da safra, mais barata que o uso apenas das rodovias, como se faz atualmente. Ainda este mês a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e empresas do setor de transportes iniciam testes para o uso de rotas multimodais (que usam mais de um modal por vez).
“Precisamos nos estruturar o mais rápido possível para escoar os grãos do Centro-Norte do País, pois é a região que vai suprir o mercado de milho no mundo”, diz Luiz Antônio Fayet, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A região colhe cerca de 35% da safra brasileira de grãos ou quase 50 milhões de toneladas.
Os testes iniciais serão feitos com estoque governamental. A Conab está colocando à disposição do setor 10 mil toneladas de milho para testar duas alternativas de escoamento, calculando os custos e a viabilidade econômica do escoamento para o Nordeste. O governo não tem hoje quais são os gastos no trajeto normalmente do deslocamento do grão do Centro-Norte para o Nordeste do País – que usa rodovia ou a combinação deste modal com a navegação marítima.
Apenas em estoques, a estatal tem 2 milhões de toneladas de milho em Mato Grosso. “O teste é para o milho, mas se a alternativa for viável, a rota poderá ser usada por qualquer grão”, diz Rogério Colombini, diretor de Gestão de Estoques da Conab. Ele diz que, apesar de o grão sair de Sorriso ou Sapezal, em Mato Grosso, a idéia é que esta rota seja usada não só por esse estado, mas também por Rondônia e Acre. “Queremos romper a dificuldade de logística e transporte”, afirma o diretor.
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O pesquisador Augusto Hauber Gameiro, do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura Luís de Queiroz (Esalq Log), diz que “teoricamente” os custos de transporte de outros modais que não o rodoviário são mais baratos. O custo do frete ferroviário é entre 10% a 20% mais baixo e o do hidroviário, até 30% mas, no entanto, mais lento e com poucos rios navegáveis. “É importante que se busque alternativas, mas o modal rodoviário hoje é o mais estruturado”, diz Gameiro.
A primeira rota a ser utilizada será o deslocamento do grão pelo Norte: sai de Mato Grosso por rodovia, vai até Porto Velho (RO), pega barcaça, segue para Santarém (PA), usa navio até Itaqui (MA) e de lá vai por ferrovia até as capitais do Nordeste. A segunda, desce para o Sudeste para depois subir: de Mato Grosso segue para Uberlândia (MG) por rodovia, ali pega ferrovia até Santos (SP) ou Vitória (ES), desloca-se por navio até Itaqui e de lá o grão vai para as capitais do Nordeste por ferrovia. Gameiro, lembra, no entanto, que as duas rotas fazem muito transbordo da carga, o que pode encarecer o uso. Na sua avaliação, a primeira rota parece a mais viável, mas ele enfatiza que a ferrovia do Norte é a que está com a malha mais prejudicada.
Fayet também acrescenta outros problemas das alternativas estudadas pelo governo, como a dificuldade de se conseguir navio para a cabotagem.
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