A reestruturação da malha ferroviária brasileira subutilizada é uma reivindicação antiga do setor agrícola e industrial e não é questionada pelas concessionárias.
A constatação é que se trata de um problema histórico agravado, dizem os especialistas, pelo modelo de concessões da malha da antiga Rede Ferroviária Federal, que não incentivou investimentos privados em toda a área concedida.
O consultor de Logística e Transportes da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Luiz Antonio Fayet, lembra que, por falta de transporte adequado, “algumas milhões de toneladas deixam de ser produzidas”. Um estudo da entidade calcula perda de R$ 3 bilhões ao ano com problemas de logística no Brasil.
Empresas dizem que não podem ser vistas com vilãs para o diretor-executivo da Associação Nacional dos Transportes Ferroviários (ANTF), Rodrigo Vilaça, as medidas em curso são positivas e vão ao encontro das reivindicações das operadoras. Ele lembra que, nos últimos anos, o setor privado injetou R$ 20 bilhões em investimentos no setor e outros R$ 10 bilhões em impostos.
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– Não podemos ser considerados vilões, pois esses trechos já estavam ociosos quando foram feitas as concessões.
Durante os últimos anos, modernizamos e melhoramos a malha como um todo – disse.
Renato Voltaire, diretor da Associação Nacional de Usuários de Cargas (Anut), afirma que é preciso relativizar o sucesso divulgado pelas operadoras: das 430 milhões de toneladas transportadas por ano em trem, 330 milhões de toneladas são de minério de ferro, carvão e coque.
No Brasil, as ferrovias funcionam quase como um mineroduto.
Se não fosse a crise internacional, que ainda não passou em termos de volume de produção, estaríamos com todas as vias entupidas – disse.
Dos três grandes operadores de ferrovias do país, dois são controlados por mineradoras. A FCA pertence à Vale, e a MRS tem CSN, MBR, Usiminas, Vale e Gerdau em eu gripo de acionistas controladores. Já a ALL, que opera mais ao Sul do país, é empresa de capital aberto. Entre os controladores, há companhias de logística, fundos de pensão e investimento e a BNDESpar.
Paulo Fleury, presidente do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos), acredita que a forma como foi realizada a concessão da malha ferroviária brasileira, em 1996, prejudicou o desenvolvimento do setor: – Foram colocadas metas gerais para as operadoras, que as cumpriram nos trechos mais demandados, abandonado aqueles menos rentáveis.
Fleury diz que, enquanto o Brasil tem três empresas, com um quarto operador devendo se somar em breve – a Transnordestina -, os Estados Unidos têm mais de 500 firmas no setor. Lá são cinco grandes operadores, e os demais administram ferrovias pequenas.
– O trecho que é ruim para uma grande pode ser interessante para uma pequena ou para uma empresa de outro modal.
Para levar uma carga de Porto Alegre a Salvador, temos que passar pelas três empresas.
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