Ainda que o governo da China tenha reduzido impostos e taxas de juros para ajudar o setor empresarial do país a se movimentar num cenário de crise, são os investimentos em infra-estrutura o principal motor do pacote anunciado ontem.
No quarto e último trimestre de 2008, o governo chinês investirá 400 bilhões de yuans (US$ 58,6 bilhões) — do orçamento federal e das províncias — em obras que vão da construção de estradas e portos a novas linhas férreas e redes de telecomunicações.
A parte mais ambiciosa desse conjunto de obras são os 2 trilhões de yuans — US$ 292 bilhões, quase a metade do pacote de ajuda dos EUA ao seu sistema financeiro — a serem investidos num ambicioso projeto de construção de ferrovias pelo país. Os investimentos serão feitos nos próximos dois anos e o objetivo é que a China chegue em 2010 com uma malha ferroviária de 90 mil quilômetros de extensão, afirmou o Ministério das ferrovias.
Na época da crise asiática, em 1997, a China conseguiu manter suas altas taxas de crescimento investindo pesadamente na construção de rodovias por todo o país. A idéia é repetir esta experiência, dessa vez, com as ferrovias, afirmou à imprensa estatal Zheng Xinli, consultor de transportes do governo.
As notícias estão em todo lugar. Reportagens e entrevistas exclusivas sobre o setor ferroviário, só na RF — desde 1940.
Por R$ 8,42/mês — parcele em 12x sem juros.
— Cerca de 1,2 trilhão de yuans já foi alocado no orçamento e os projetos começaram ainda este ano para que os efeitos sobre a economia já possam ser sentidos em 2009 — afirmou o porta-voz do Ministério das ferrovias, Wang Yongping.
Ferrovia vai ligar Pequim a Hong Kong, no sul do país
Segundo o governo, nos últimos dez anos desde a crise asiática, a China construiu 820 mil quilômetros de estradas, gastando US$ 53 bilhões nestes projetos nos últimos cinco anos. Somente em 2006, a China investiu US$ 81 bilhões em rodovias, ultrapassando os EUA, até então o maior investidor em rodovias do mundo, com uma injeção anual de US$ 72 bilhões neste setor.
No dia 15 de outubro passado, foi dada a largada no maior e mais ambicioso projeto ferroviário do país: a ferrovia de trens de alta velocidade que ligarão Shijiazhuang, capital da província de Hebei, onde fica Pequim, a Wuhan, no Centro da China, capital da província de Hubei. Estes 841 quilômetros de rodovia, que custarão US$ 17,2 bilhões, compreendem o trecho que falta para que a ligação ferroviária entre Pequim e Hong Kong, no Sul do país, próximo do parque industrial exportador de Guangdong, vire realidade.
Prevista para estar pronta em 2012, a ferrovia vai transportar 80 milhões de passageiros por ano em cada direção e terá trens que percorrerão os destinos numa velocidade de 350 quilômetros por hora.
Seja o primeiro a comentar