Em rápida entrevista ao PortoGente, o diretor-executivo da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), Rodrigo Vilaça, voltou a defender maior integração entre os diferentes modais para que o Brasil possa movimentar com mais facilidade e agilidade cargas em seu território. Ele entende que a conclusão de importantes projetos ferroviários no Norte, Nordeste e Centro-Oeste do País acelerará o desenvolvimento e integrará de vez essas regiões aos mercados do Sul e Sudeste. No entanto, alerta, só isso não será suficiente.
“A produtividade do modal ferroviário cresceu 4% entre 2007 e 2008. E 13 anos depois das concessões feitas pelo Governo Federal, operamos com a mesma malha. Não foi construída nenhuma linha de grande porte e as empresas concessionárias fizeram um grande esforço para potencializar ao máximo as ferrovias brasileiras. Hoje, posso dizer que conseguimos. Mas isso só aumentará com mais linhas e o incentivo à integração dos modais. O Plano Nacional deLogística e Transportes (PNLT) prevê tudo isso, mas não foi oficializado. A solução está com o Governo”.
O tema intermodalidade, aliás, é um dos 11 itens presentes na Agenda Estratégica do Transporte Ferroviário, documento atualizado recentemente pela ANTF e que reúne as principais exigências das empresas e associações do setor para que o desenvolvimento do Brasil deixe de ser somente tema de eventos, seminários e palestras, transformando-se em algo possível de se tornar realidade. Aos presentes no Infra 2009, evento realizado em São Paulo na última semana, Rodrigo Vilaça reafirmou seu descontentamento com a ineficiência pública.
“Temos obras no País que darão sequência ao processo de integração, mas o que as empresas e o próprio Governo Federal estão se esforçando para fazer agora já deveria ter saído das pranchetas há mais de 20 anos. Na verdade, não brigamos propriamente pelo desenvolvimento. Agora, o importante na malha ferroviária é recuperar o tempo que se perdeu lá atrás. E até mesmo o presidente Lula reconheceu o erro do passado. Ele criticava a Norte-Sul antes e hoje se tornou seu maior defensor. Ela ligará o Maranhão ao Interior de São Paulo”.
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