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Paralisação segue em Natal com poucas viagens

A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) alega que a paralisação de 48 horas iniciada ontem pelos ferroviários em Natal não está obedecendo à realização de 30% das viagens, conforme estabelecido em Termo de Ajuste de Conduta assinado em 2007. No documento o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias do Estado se compromete a operar com esse percentual durante greves.


“Eles estão realizando quatro viagens, quando deveriam ser oito. Falta um turno intermediário, para que os passageiros que estudam em meio período ou trabalham de plantão à noite e saem no final da manhã não se prejudiquem”, explica. Durante a mobilização, cada uma das duas rotas opera com uma viagem pela manhã e outra à noite, horários considerados de pico.


O vice-presidente do sindicato da categoria, João Bosco Amaral, justifica que o Termo na verdade estabelece que pelo menos 30% do total de passageiros sejam atendidos durante a paralisação. “Essas quatro viagens atendem  à maioria dos passageiros de trem. Nosso objetivo não é prejudicá-los, sabemos que são pessoas carentes, que têm o trem como um meio de transporte mais barato”, diz Amaral.


Funcionários administrativos e operacionais da CBTU participam da parada, que pretende agilizar a negociação de reenquadramento do Plano de Cargos e Salários. Da forma como a empresa propõe, segundo Bosco Amaral, vários funcionários perderiam os reajustes. “Os anistiados que foram reintegrados à empresa, os admitidos de 2001 para cá e até alguns funcionários antigos não seriam incluídos no plano, o que não é correto, nossas perdas chegam a 40% em alguns casos”, estima.

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Os ferroviários se dizem prejudicados ainda porque os estudos baseados nas  tabelas de reajustes salariais, elaborados pelos sindicatos e entregues há um mês à diretoria da CBTU, a pedido da própria empresa, não foram encaminhados como proposta conjunta entre empresa e funcionários ao Departamento de Coordenação e Controle das Empresas Estatais (DEST), órgão que define os pisos salariais. 


“O Conselho da CBTU aprovou nossa análise, mas entregou ao DEST como se fosse uma proposta apenas do Sindicato. Se excluiu e enfraqueceu a categoria, porque o Dest não negocia proposta de Sindicato, só de empresa”, diz Amaral. A mobilização de advertência ocorre em todos os estados do país onde o sistema ferroviário é administrado pela CBTU, como Rio de Janeiro e Minas Gerais.


Greve surpreende passageiros


Ontem pela manhã, nem todos os usuários tinham conhecimento da parada de 48 horas  dos trens urbanos. Cristina Silva veio de trem da Cidade da Esperança para receber o benefício Bolsa-Família em uma agência da Ribeira e só soube que o turno intermediário estava suspenso quando tentou voltar para casa às 9 horas, na estação da Ribeira. “O Bolsa foi bloqueado e só tenho um real para voltar para casa, e de ônibus  a passagem custa R$1,85. E agora, não estava sabendo de nada dessa greve”, disse.


A aposentada Luzia Ribeiro também foi pega de surpresa quando chegou à estação para ir visitar o filho, que mora em Parnamirim. “Agora vou ter que pagar R$ 3,00 para ir de ônibus”, disse ela,  enquanto se informava sobre a parada mais próxima. Tiago Ferreira, desempregado, desistiu de ir visitar a mãe em Parnamirim. “De ônibus é muito caro, vou esperar normalizar”.


Em Natal, a CBTU estima que nove mil passageiros utilizam o serviço de trem diariamente, cuja tarifa de R$ 0,50 torna-se uma opção mais viável do que o transporte coletivo, que tem tarifas para a Grande Natal que chegam a R$ 3,00 por viagem.

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Fonte: Tribuna do Norte

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