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Randon já admite crescer menos em 2009

O melhor terceiro trimestre da história da Randon deve garantir ao grupo o desempenho recorde projetado para o ano apesar da crise financeira global. A avaliação é do diretor de relações com investidores, Astor Schmitt, para quem mesmo em um cenário menos aquecido o conglomerado pode crescer novamente em 2009, ainda que a taxas menores. 


A Randon fechou o terceiro trimestre com alta de 43,9% no lucro líquido consolidado em relação a igual período de 2007, para R$ 60,8 milhões, e de 30,3% na receita líquida, para R$ 877 milhões. 


“Ainda não fechamos os planos para 2009, mas, embora a potencial desaceleração da economia como um todo possa afetar a nossa cadeia de negócios, não passa pela cabeça de ninguém um processo de recessão no país”, afirmou o executivo. Mesmo assim, o grupo, que opera nos segmentos de implementos rodoviários e ferroviários, veículos especiais e autopeças e sistemas, está acompanhando “com cautela” os desdobramentos da crise, explicou. 


A venda de autopeças e sistemas responde por cerca de 50% das receitas da Randon e, apesar da queda de 2,1% nas vendas da indústria automotiva em outubro na comparação com o mesmo mês de 2007, as montadoras não alteraram as programações de encomendas para os últimos meses de 2008, que já consideravam a “desaceleração sazonal” do fim do ano, disse Schmitt. Segundo ele, a restrição do crédito afetou mais o segmento de automóveis de passeio e utilitários leves, enquanto as linhas de veículos pesados como caminhões e ônibus, que são o foco do grupo, tiveram impacto menor. 

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Conforme Schmitt, o programa de investimentos de R$ 250 milhões em 2008, com alta de 27% sobre o ano passado, não será alterado. Até setembro os aportes somaram R$ 189,8 milhões, ante R$ 143,8 milhões sobre idêntico intervalo de 2007. A controladora Randon Implementos e Participações e a controlada Randon Implementos para o Transporte, em Guarulhos (SP), receberam a maior parte dos recursos (R$ 77,9 milhões). A Fras-le, controlada que produz materiais de fricção para freios, absorveu R$ 40 milhões. 


No trimestre, a receita bruta total do grupo, sem eliminar os negócios entre coligadas e controladas, subiu 41,7%, para R$ 1,35 bilhão. A meta para o ano é de R$ 4,2 bilhões e até setembro o montante chegou a R$ 3,5 bilhões. As exportações cresceram 19,7%, para US$ 82,1 milhões, e 30% nos nove meses, para US$ 220,6 milhões, frente à projeção de US$ 270 milhões para o acumulado do exercício. O lucro antes dos juros, impostos, depreciações e amortizações (lajida) avançou 51% no trimestre e ficou em R$ 161,9 milhões. 


O desempenho foi positivo, de acordo com o diretor, apesar do crescimento das despesas financeiras líquidas, de R$ 467 mil para R$ 29,8 milhões no terceiro trimestre. A alta foi provocada pelo impacto da variação cambial sobre o passivo em moeda estrangeira, que equivale a 40,6% da dívida financeira bruta de R$ 647,7 milhões, e por perdas com operações de derivativos contratadas para proteção das carteiras de pedidos ao exterior. Segundo o executivo, parte dessas perdas será recuperada ainda em 2008 graças às melhores margens nas exportações. 


A Fras-le, controlada que também tem o capital aberto, registrou alta de 16,6% na receita líquida do trimestre na comparação com o mesmo intervalo de 2007, para R$ 119,4 milhões, mas o lucro líquido caiu de R$ 9,1 milhões para R$ 1,2 milhão. O resultado também foi afetado pela variação cambial sobre derivativos e endividamento, que aumentou as despesas financeiras líquidas de R$ 1,3 milhão para R$ 6,9 milhões.

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Fonte: Valor Econômico

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