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EIF aproveita crise para crescer

No auge da crise econômica mundial, a EIF Engenharia e Investimentos Ferroviários decidiu investir e “diversificar com foco”, expressão usada internamente na empresa. Durante a 12ª edição da Feira Negócios nos Trilhos – evento que aconteceu de 10 a 12 de novembro de 2009, no Pavilhão Vermelho do Expo Center Norte, em São Paulo –, quem visitou o estande da companhia pôde conhecer um pouco mais os detalhes que levaram a EIF crescer em um período onde praticamente todo o mercado encolheu.


A primeira ação da companhia para alcançar as metas traçadas foi investir na mudança da fábrica, para a cidade de Três Rios/RJ, contando para isso com todo apoio e incentivo do Governo do Estado do Rio de Janeiro.


Na verdade os primeiros vôos da EIF rumo ao forte crescimento tiveram início em 2008, quando seus diretores, Carlos Braconi e João Gemma – executivos com mais de 30 anos de experiência na área ferroviária – resolveram apostar na fabricação de locomotivas diesel-elétricas com potência inferior a 1.500 HP.  A primeira unidade modelo EIF 1000 foi adquirida pela CSN Cimentos S.A. e entregue em janeiro de 2009. “Este fato despertou o interesse do governo estadual, que tem grande interesse em desenvolver o pólo ferroviário na região de Três Rios, que foi um importante centro produtivo no passado”, explica Braconi.


Localizada no Condomínio Industrial da Açotel, a fábrica da EIF ocupa 4.000 m² de área coberta com acessos ferroviários, onde estão sendo fabricadas mais três locomotivas, modelo EIF 1000. Duas unidades vão trabalhar na usina de aços longos da CSN. A terceira máquina vai ser entregue à ALL (América Latina Logística) para a operação na fábrica de cimentos da Camargo Correa Cimentos. “As unidades serão todas entregues no período de março à maio de 2010”, garante Braconi.


De acordo com os executivos da EIF, o contrato com a ALL é o primeiro na modalidade de locação para um período de cinco anos renováveis por mais cinco anos, com manutenção sob responsabilidade da EIF. Estas máquinas têm tecnologia consagrada, com sistema de controle convencional. “Podemos instalar motor diesel eletrônico, com melhor controle de emissão, economia de combustível, mais eficiência e microprocessador para controlar toda a parte eletroeletrônica da máquina. Essa seria a configuração mais moderna e é possível.”, explica Gemma.


A expressão “diversificar com foco” foi provada na decisão da empresa em focar na fabricação, reformas e adaptação de locomotivas e também em  serviços de todos os equipamentos ferroviários (máquinas de grande porte para manutenção de via ferroviária, reforma de trens de passageiros e reforma de vagões).


Carteira cheia


O resultado é que hoje a EIF tem em carteira, além da fabricação das três locomotivas novas EIF 1000, mais a reforma e revisão geral de outras três locomotivas na faixa de potência de 1.000 HP; a operação e manutenção de esmerilhadora de trilhos;  reforma geral e modernização de desguarnecedora de lastro; reforma de truques para trens de passageiros; adaptação de bitola para máquinas de manutenção de via permanente; reforma de truques de carro torpedo e reforma de vagões.


“Estes produtos e serviços somam-se a adaptação e revisão geral que foram executadas em 125 locomotivas diesel-elétricas de 3.000 HP, nos últimos cinco anos”, contabilizam os diretores as EIF.


Segundo eles, o grande desafio da EIF no momento é o desenvolvimento do projeto para locomotivas de 600 e 1.500 HP com tecnologia de ponta, com acionamento de motores de tração de corrente alternada ou contínua e sistema de controle por microprocessador. A EIF está desenvolvendo o protótipo de cabeça de série para cada modelo na fábrica de Três Rios.


Locomotiva EIF 1000


O projeto e o ferramental para o desenvolvimento da locomotiva diesel-elétrica EIF-1000 envolveu recursos da ordem de R$ 1,5 milhão e coloca a EIF num segmento de ponta oferecendo produtos de 600 a 1.500 HP.
A máquina, com índice de nacionalização da ordem de 82% (o que permite sua compra via Finame) foi desenvolvida para executar operações de transporte de carga em todas as ferrovias brasileiras, siderúrgicas, portos e no sistema ferroviário da CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos) tracionando trens de passageiros no Nordeste. Pode operar também manobras, garantem os diretores da EIF.


A primeira máquina EIF-1000 que está trabalhando na fábrica de cimentos da CSN tem bitola de 1,60 m, mas pode tracionar vagões de bitola estreita, desde que haja terceiro trilho (duas bitolas na mesma via). Para isso a locomotiva é dotada de dois engates em posições diferentes. A EIF-1000 pesa 100 toneladas e pode chegar a 80 km/h. Seu papel na CSN é o de tracionar os vagões torpedo que transportam o ferro-gusa fundido. A faixa de preço de uma locomotiva deste tipo varia entre US$ 1,5 e US$ 1,8 milhão. “Com essas máquinas o Brasil passa a produzir locomotivas para praticamente todo tipo de necessidades do setor”, complementa Gemma.

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