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Nova crise política eleva instabilidade

Ainda que seja cedo para fazer prognósticos econômicos, a forte instabilidade política gerada pelo bombástico pedido de demissão do agora ex-ministro Sergio Moro é mais um golpe na economia brasileira e adiciona volatilidade em um quadro já bastante frágil, reconhecem fontes do governo.

O cenário que já apontava uma queda intensa do PIB neste ano torna-se ainda mais desfavorável, principalmente se essa nova crise durar muito tempo sem um desfecho. Uma fonte oficial já cita projeções novas de mercado apontando queda de 6% a 8% para o PIB. Outro interlocutor ressalta que o momento demandava ações para gerar um clima de estabilidade e esse movimento do agora ex-ministro vai exatamente na direção contrária.

Nesse meio tempo, a central de boatos coloca o ministro Paulo Guedes na linha de tiro, depois do episódio envolvendo o plano Pro Brasil, apelidado de “Plano Marshall”. Duas fontes próximas ao ministro Paulo Guedes, contudo, negam enfaticamente que ele pretenda deixar o governo.

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Para um desses interlocutores, Guedes continua determinado a cumprir seu papel de defender o Tesouro, adaptado obviamente às circunstâncias decorrentes do combate aos efeitos econômicos do coronavírus. “Só se saírem com ele. Guedes não é de pedir demissão”, afirmou essa fonte.

Essa fonte também avalia que há um problema envolvendo uma suposta ânsia de setores do governo em gastarem mais. “Tem uma turma que quer se aproveitar do momento para colocar seus projetos de grana por conta da pandemia”, disse.

O plano PRO Brasil, que ganhou o apelido de “Plano Marshall”, em uma referência ao plano de reconstrução da Europa após a Segunda Guerra Mundial, trabalha com propostas de aumento do investimento público, vindas de pastas como o ministério do Desenvolvimento Regional e da Infraestrutura, principalmente. Há sugestões, inclusive, para que esses investimentos públicos a serem feitos no pós pandemia fiquem de fora do teto, o que é amplamente rejeitado no Ministério da Economia.

Outro interlocutor da área econômica aponta que no momento não há exatamente uma preocupação com o destino do ministro Paulo Guedes. “A preocupação é essa crise política, que é muito grave, piorar ainda mais o quadro econômico que é gravíssimo. Ninguém sabe o que vai acontecer amanhã”, disse. “Uma crise política dessa já seria algo complicadíssimo em condições normais de temperatura e pressão. Imagina em meio a uma pandemia com o país parado?”, apontou a fonte.

Nas conversas de bastidores, em geral se aponta a necessidade de se aguardar os desdobramentos, ainda que se reconheça a gravidade da crise. Uma fonte destaca que é preciso, pro exemplo, ver como vai agir o Congresso, porque Moro seria rejeitado por muito parlamentares, em especial do Centrão, que agora se aproxima de Bolsonaro.

De qualquer forma, o interlocutor reconhece que a ação do ex-ministro da Justiça, atraiu para o governo uma oposição que não tinha, daqueles seguidores de Moro que estavam com o Bolsonaro. E certamente isso adicionará volatilidade à política e, consequentemente, à economia.

Fonte: https://valor.globo.com/politica/noticia/2020/04/27/nova-crise-politica-eleva-instabilidade.ghtml

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