Valor Econômico – O vice-presidente executivo da Vale, Marcelo Bacci, afirmou nesta sexta-feira, em entrevista coletiva, que a Vale segue analisando o projeto da Bamin. Segundo ele, a Vale, como principal mineradora do país, tem interesse, em tese, em qualquer depósito de minério de ferro de alta qualidade o Brasil. Mas o executivo ressaltou que há um “desafio logístico” no projeto, uma vez que os volumes de minério não justificam o investimento logístico.
“Existe um grande desafio logístico no projeto da Bamin, que é a construção de uma infraestrutura muito grande que, quando olha a quantidade de minério disponível, não remunera a construção da infraestrutura que é necessária, em termos de ferrovia e porto”, explicou Bacci.
A Bamin é um projeto que consiste em uma mina para produção de minério de ferro com capacidade de 26 milhões de toneladas, em Caetité (BA), a conclusão de um trecho da Ferrovia Oeste-Leste (Fiol) e a construção de um terminal portuário em Ilhéus, também na Bahia. Estimativas indicam que o investimento total no empreendimento poderia superar os R$ 30 bilhões. A Bamin é controlada pela Eurasian Resources Group, do Cazaquistão, que vem tentando encontrar um comprador para o projeto.
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“Por isso até hoje não encontramos uma forma econômica de desenvolvê-lo. Então não houve nenhuma decisão por conta disso. A gente segue buscando potenciais soluções, mas nesse momento não dá pra dizer ou não se é possível seguir com esse projeto”, afirmou Bacci.
O executivo disse que a Vale segue buscando soluções para a Bamin e afirmou que uma saída logística seria envolver o transporte de outros produtos para viabilizar o investimento na infraestrutura. “A Vale é uma empresa de mineração, não somos uma empresa de logística, então não cabe a nós fazer um investimento na logística buscando outros produtos”, disse. “A gente tem logística para o nosso produto, que é o minério de ferro. Então, o que se precisa é tentar desenhar é uma solução onde consiga trazer outras cargas que justifiquem o investimento logístico na região. Se isso for viabilizado, a gente tem em tese interesse em fazer a parte do minério. Mas ainda não conseguimos desenhar uma equação que faça essa conta fechar.”
Bacci acrescentou que, caso a questão logística seja equacionada, provavelmente o interesse da Vale seria desenvolver o projeto com parceiros, uma vez que haveria outras cargas além do minério associadas.
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