Valor Econômico – Os setores do agronegócio receberam com reservas o pacote emergencial do governo federal para conter os danos do “tarifaço” americano. Alguns segmentos, que já amargam efeitos como queda de vendas e preços, esperam por mais detalhes das medidas de apoio, enquanto outros criticaram o limite da iniciativa.
Para representantes do setor de pescados, que exporta 70% de seus produtos aos EUA, o ideal seria que as taxas de juros aos exportadores fiquem abaixo ou igual às praticadas no Plano Safra. “Algo abaixo de 6% é razoável para que o empresário possa se endividar momentaneamente”, destacou Eduardo Lobo, presidente da Associação Brasileira de Pescados (Abipesca).
Para Francisco Medeiros, presidente da Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe-BR), faltam mais detalhes da medida provisória, como o volume das compras públicas de alimentos e o tamanho das empresas que serão beneficiadas com o crédito de R$ 30 bilhões. “Conforme for, a gente já nem entra nisso mais”, afirmou.
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Para a Abipesca, o governo deveria voltar seus esforços para a reabertura do mercado europeu, fechado desde 2018 por questões regulatórias. Já a Peixe-BR defende que o governo flexibilize o padrão de produção do Brasil visando atender mercados que hoje são atendidos pela China.
“O problema não é a abertura de mercado. Mercado para filé congelado tem no mundo inteiro. Todos os países da América Latina importam o filé da China e não importam um quilo sequer do nosso por conta do preço”, disse Medeiros.
No setor de frutas, o sentimento é de preocupação. A Associacão dos Produtores e Exportadores de Hortigranjeiros e Derivados do Vale Do São Francisco (Valexport) disse que “preocupa” que a medida provisória (MP) não tenha previsto a prorrogação das operações de adiantamento de contrato de câmbio (ACC) e de Acordo de Câmbio de Exportação (ACE), por exemplo.
A Valexport também criticou o fato da MP não ter incluído a demanda de devolução automática de créditos de ICMS nem a extensão dos custeios agrícolas de produtos para exportação. “A manga é um produto perecível e qualquer atraso ou dificuldade financeira pode significar prejuízo grande”, disse a associação, em nota.
Alguns setores também criticaram o fato da MP não prever apoio a outros elos da cadeia exportadora, como os fornecedores. “O pequeno produtor que comercializa sua produção para empresas exportadoras corre o risco de ficar desamparado neste plano de contingenciamento, uma vez que os instrumentos anunciados priorizam diretamente o exportador direto”, criticou a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas).
Essa também foi a crítica dos pecuaristas. “Se há alguém ou setor que deva ser atendido, ressarcido ou ter qualquer tipo de compensação, é o pecuarista”, defendeu Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat). Segundo a associação, “o produtor já está perdendo quase R$ 400 por animal abatido, independentemente do destino dessa carne”. A associação disse que os pecuaristas estão perdendo US$ 12 milhões ao dia com a queda dos preços da arroba bovina.
Procurados para comentar o pacote do governo, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) não comentaram.
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