O diretor-executivo de finanças da Vale, Luciano Siani Pires, afirmou nesta sexta-feira que a expectativa é que a mineradora somente volte a produzir na faixa de 400 milhões de toneladas anuais de minério de ferro em prazo de dois a três anos. Essa era, inicialmente, a meta para este ano, mas foi abandonada depois da tragédia de Brumadinho, em janeiro.
Segundo o diretor, haverá oscilações na qualidade do minério em função das minas que a empresa conseguirá operar nos próximos meses em Minas Gerais.
Neste sentido, ele destacou que a tendência é manter a projeção de produção para o ano entre 307 milhões e 332 milhões de toneladas de minério de ferro, sendo que, caso a mina de Brucutu mantenha a operação, a tendência é que a produção fique próximo ao centro da meta. Caso Brucutu não opere, a tendência é que o volume produzido fique perto da parte mais baixa da projeção.
Siani se mostrou otimista em relação à volta de Brucutu à operação. Essa semana, a Justiça determinou a parada da operação da barragem de Laranjeiras – que não pode mais receber rejeitos úmidos -, que na prática impede a produção de Brucutu.
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O diretor disse ainda que a única barragem de outras companhias que pode causar impacto no futuro nas contas de descomissionamento é Germano, pertencente à Samarco. Segundo ele, como a Samarco não opera, a empresa não tem como arcar com o descomissionamento através da geração de caixa. Segundo ele, os custos para esse descomissionamento serão divididos com a BHP Billiton, sócia da Vale na Samarco.
Siani disse ainda que a MRN é a outra empresa coligada à Vale que tem barragens a montante – tipo de barragem que será descomissionada pela mineradora – mas nesse caso, frisou, são estruturas muito menores e que poderão ter seu descomissionamento pago com recursos do caixa da própria MRN.
Dividendos
Luciano Siani Pires acrescentou, em teleconferência para comentar os resultados da empresa no primeiro trimestre, que a retomada do pagamento de dividendos não é uma prioridade da Vale neste momento. O pagamento de dividendos aos acionistas foi suspenso depois de Brumadinho.
Ele disse que o tema depende do desenrolar dos fatos relacionados a Brumadinho e lembrou que a empresa acaba de empossar um novo conselho de administração, assim como também confirmou um novo presidente há dez dias: Eduardo Bartolomeo.
Portanto, a discussão sobre a retomada do pagamento de dividendos só deve ocorrer no segundo semestre, disse Siani. “Não é prioridade agora”, afirmou.
A Vale é historicamente uma boa pagadora de dividendos e, em 2018, estabeleceu uma nova política segundo a qual paga aos acionistas o equivalente a 30% do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) menos o investimento corrente.
Este ano, porém, a empresa não tem obrigação legal de pagar mais dividendos pois já desembolsou o mínimo exigido por lei, de 25% do lucro líquido.
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