A chamada “ferrovia do Sarney”, a Norte-Sul sairá concedida hoje. Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) o trecho que liga Açailândia, no estado do Maranhão a Palmas, no estado de Tocantins será leiloado e três empresas, entre elas a mineradora Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), apresentaram propostas para operar a ferrovia por 30 anos. O lance mínimo inicial é de R$ 1.478.205.000,00. O vencedor do leilão será responsável pela operação, conservação, manutenção, monitoramento, melhoramentos e adequação do trecho.
Serão licitados 720 quilômetros sob a forma de sub-concessão para exploração comercial. O projeto total prevê a construção de cerca de 1,5 mil quilômetros até a cidade de Anápolis em Goiás, de onde a malha da Norte-Sul fará conexão aos trilhos da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), administrada pela mineradora.
A idéia de uma ligação entre o Norte e o Sul do País por trilhos não é nova, começou com o então presidente da República, José Sarney, em 1986, mas em 21 anos foram construídos somente 225 quilômetros entre as cidades maranhenses de Estreito e Açailândia. A CVRD já opera este trecho desde 1996, interligado à Estrada de Ferro de Carajás (EFC) e ao porto de Itaqui, em São Luís.
O consultor de ferrovias e ex-presidente da extinta Brasil Ferrovias, Elias Nigri, disse que esse projeto é importante para dar continuidade ao desenvolvimento da região.
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“Com novas formas de escoamento da produção, haverá interesse em novos investimentos nos estados por onde passará a ferrovia”, disse. Segundo ele, além da abundante demanda de minério de ferro, com as minas da Vale em Carajás (PA), há ainda volume para o transporte de soja, que hoje é transportada por hidrovias ou por caminhões.
Segundo a Vale, se ganhar a concessão da Norte-Sul, o projeto permitirá a criação de um novo corredor de carga geral, viabilizando a exportação de grãos, álcool e açúcar produzidos na região Centro-Norte do Brasil e o desenvolvimento portuário do Maranhão. “A participação da CVRD no leilão é consistente com a estratégia de seus negócios de logística de carga geral para clientes”, afirmou a Vale por meio de comunicado.
O diretor-executivo da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), Rodrigo Vilaça, afirmou que o leilão da Norte-Sul é uma forma do governo investir na malha ferroviária brasileira. “Sem dúvida, em médio prazo, o leilão trará resultados positivos que contribuirão para o fortalecimento do setor”, disse.
Além da CVRD, já se habilitaram para o leilão as empresas Alvorada Serviços de Engenharia, de Brasília e a empreiteira de Minas Gerais, ARG LTDA, especializada em construção de estradas. A construtora tem hoje 11 grandes obras em andamento no País, das quais sete são contratos diretos com o Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (DNIT). Procuradas, as empresas não se manifestaram.
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