O aumentos no preço do minério de ferro anunciado pela Vale para fornecimento a clientes da Ásia e da Europa mostram que a siderurgia mundial segue aquecida, apesar das preocupações com a recessão nos EUA e seus efeitos sobre a economia global. A opinião é do vice-presidente executivo do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), Marco Polo de Mello Lopes.
“O aumento de preços do minério está ligado à condição de mercado, que está firme”, disse Lopes. Ele afirmou que, no exterior, os preços dos produtos siderúrgicos continuam em alta. No Brasil, o aumento do minério de ferro e de outros insumos importantes na estrutura de custos da siderurgia, como o carvão, também devem elevar os preços do aço, prevê Lopes. Nas negociações, a Vale conseguiu reajustes de 65% para o minério do Sistema Sul e de 71%, para o produto extraído em Carajás.
Segundo analistas, Usiminas, ArcelorMittal Tubarão e Gerdau aumentaram recentemente os preços do aço. A Gerdau reajustou os preços do vergalhão entre 5% e 9,6%. Os reajustes das siderúrgicas teriam embutido parte do aumento previsto para o minério de ferro, mas, como o reajuste foi maior do que o esperado, a tendência é de novas altas nos preços do aço a partir do segundo trimestre.
Lopes, do IBS, não acredita que novos repasses resultantes do aumento de custos da siderurgia tenham impacto na inflação. Ele citou ainda o interesse crescente de grupos como ArcelorMittal, CSN, Usiminas e Gerdau na compra de minas como forma de fazer frente à concentração da mineração mundial. Também disse que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), cujos setores são consumidores intensivos de aço, tem tudo para ter desempenho melhor este ano do que em 2007.
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