As viagens de trem, geralmente bucólicas, ganham características de glamour no Paraná. É que acaba de ser lançado o primeiro trem de luxo do Brasil, o Great Brazil Express, um projeto ousado que consumiu investimentos de cerca de R$ 2,5 milhões oriundos da iniciativa privada. Entre os parceiros deste negócio estão o empresário brasileiro Adonai Aires de Arruda, presidente da Serra Verde Express, empresa que administra há dez anos o trem turístico Curitiba-Paranaguá, além do belga Thierry Nicolas, fundador da Transnico International Group, operadora de turismo ferroviário, e do sueco Thomas Glenndahl.
O trem de luxo começa a operar no dia 23 de abril e vai passar por quatro cidades paranaenses – Ponta Grossa, Irati, Guarapuava e Cascavel – em um percurso total de quinhentos quilômetros em dois dias. São dois vagões, com capacidade para 44 passageiros e decoração que representa um investimento de 250 mil euros. Inspirado no famoso Orient Express (trem que atualmente faz o percurso Paris – Istambul), o interior do vagão ganhou estilo clássico, com carpete, cortinas de seda, abajures, mesas de três e quatro lugares, assentos estofados, quadros – muitas das peças importadas -, além de bares e janelas panorâmicas. “Apesar de ser inspirado no Orient Express, a decoração recebeu um toque mais brasileiro”, comenta Thierry Nicolas.
O serviço de bordo é feito por comissários bilíngües e trilingües. O cardápio não inclui almoço e jantar, mas contém frutas, petiscos, salgados, doces e bebidas que serão servidos conforme o horário do percurso. Durante a viagem, um guia dá informações sobre as paisagens e atrativos dos destinos que desfilam pelas janelas do trem.
O presidente da Serra Verde Express, Adonai Aires de Arruda, concorda que o projeto é arrojado – há apenas outros dez trens de luxo no mundo, em países como Espanha, França, Inglaterra, Estados Unidos, Canadá e África do Sul, e o Brasil ainda é incipiente no turismo de luxo. Porém, o empresário diz ter muitos motivos para apostar no sucesso do empreendimento no Paraná. “Fizemos pesquisas prática e técnica, visitando diversas vezes os destinos pelos quais o trem irá passar e conhecendo tudo que eles oferecem – restaurantes, hotéis, shows – para saber exatamente o potencial de cada um deles”, conta Adonai. “Vimos que o Paraná tem serviços de primeira qualidade, além de belezas e atrativos fantásticos, como o Cânion do Guartelá em Tibagi, Museu do Diamante, folclore italiano em Irati, shows holandeses em Castro, show gaúcho em Cascavel, além das belezas naturais da Serra do Mar. O Paraná não deixa nada a dever para outros grandes destinos”, considera.
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Segundo ele, o turismo ferroviário atrai pessoas de todas as idades e classes sociais. Sua experiência de dez anos na operação do trem entre Curitiba e Paranaguá comprovou que o número de pessoas que viajam no vagão econômico é o mesmo que viaja no executivo. A grande maioria opta pelo vagão intermediário, que é o turístico, o que se pode concluir que este passeio, que atrai 135 mil pessoas por ano, dos quais 20% estrangeiros, é destinado principalmente à classe média. Já a expectativa para o trem de luxo é atrair anualmente 2,1 mil pessoas, dos quais grande parte das classes A e B e 70% devem ser estrangeiros.
A ministra do Turismo, Marta Suplicy, que participou do lançamento do trem, na última sexta-feira, se mostrou satisfeita com o fato de o Paraná entrar para o segmento de luxo que, segundo ela, apesar de novo no Brasil já cresce mais de 10% ao ano e fomenta a visitação internacional no País. “Uma família estrangeira, de quatro pessoas, chega a gastar, em média, US$ 50 mil em uma viagem de 13 dias aqui; o Brasil precisa dessas divisas geradas pelo turismo de luxo”, comenta.
Marta informou que o trem de luxo estará no material de promoção turística do ministério que será distribuído internacionalmente. Só nos Estados Unidos, o País investe US$ 6 milhões em divulgação.
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