O pequeno município fluminense de São João da Barra começa a se transformar em um formidável canteiro de obras para a construção do porto do Açu. A obra é o ponto de partida para a implantação de um projeto empresarial que transfigurará a paisagem econômica e social do norte do Estado do Rio de Janeiro.
O porto de Açu, uma iniciativa da MMX, abrigará um amplo conjunto sinérgico de iniciativas, com fulcro no terminal portuário. Licenciado como porto não organizado, de múltiplo uso, o porto será o “hub-port” do Atlântico Sul pelas seguintes razões: (a) calado na área de atracação superior a 18 metros, em condições de receber os supergraneleiros e os modernos navios de contêiner; b) cais de atracação protegido dos impactos dos ventos e das marés; (c) retroárea e equipamentos portuários de última geração para processar, armazenar e manipular nas melhores condições técnicas e econômicas, expressivo volume de granéis, sólidos e líquidos, e contêineres; (d) acesso rodoviário pela BR-101, que atravessa o terreno.
Além destas características físicas únicas, o porto terá para servi-lo um mineroduto de mais de 550 km de extensão para transportar o minério de ferro a ser extraído de jazida localizada no município de Conceição do Mato. Dentro, no Estado de Minas Gerais; um alcoolduto, paralelo ao mineroduto, para escoar a produção de álcool das usinas mineiras; um gasoduto para transportar gás e abastecer as termoelétricas da Cemig, localizadas em Minas Gerais; e acesso ferroviário pelas linhas da Ferrovia do Atlântico (FCA), que passam próximas ao porto, para recepção da produção mineira e capixaba, sobretudo de produtos siderúrgicos.
O complexo portuário do Açu será completado por uma segunda área, contígua à sua retroárea, de mais de 7 mil hectares, inteiramente plana e livre, adequada para a implantação de um distrito industrial, planejado para abrigar, com todos os serviços devidamente instalados, um moderno porto-indústria, tendo como modelo o porto-indústria de Singapura, o mais notável empreendimento do mundo. Pela primeira vez, o setor produtivo brasileiro terá a sua disposição um aparato de logística capaz de garantir efetivas condições de competição ao produto industrial brasileiro no mercado internacional.
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As características do porto e do porto-indústria devem, por sua especificidade e complementaridade, revolucionar a logística nacional, oferecendo um conjunto de serviços, fisicamente articulados – base produtiva e serviços portuários – para recebimento de insumos, transformação industrial, armazenagem, embarque e desembarque de mercadorias. Tais características proporcionarão ainda a base operacional para praticar o que se denomina, em nosso tempo, “door to door logistic”, tendo como decorrência uma fantástica redução do custo-Brasil e instituindo um novo paradigma que, sem dúvida, será um marco na operação portuária nacional.
Funcionando como porto concentrador, o porto do Açu, além de servir às indústrias que deverão se instalar na sua zona industrial, receberá cargas destinadas a outros portos nacionais e até do Atlântico Sul. Como também deve deles receber cargas para serem remetidas a outros portos no exterior.
Estas são as funções que os portos concentradores exercem no sistema mundial de transporte transoceânico ao atraírem os modernos navios, capazes de carregar grande volume de carga, navegar em altíssima velocidade, e que só atracam em portos que oferecem serviço de embarque e desembarque, por meio de calado adequado à ancoragem e à demarragem, uma retroárea que proporcione eficiente manipulação da carga a ser transportada. Tais requisitos, que neste momento nenhum porto brasileiro é capaz de oferecer, o porto do Açu colocará à disposição dos usuários.
Esta mudança no fluxo de carga portuário determinará uma significativa mudança no sistema de transporte de carga no Brasil. Com o renascimento da navegação de cabotagem, peça essencial para alimentar o
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