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Estações contam histórias de outros tempos

Citado no livro “Pelos caminhos de Belém”, publicado pela prefeitura de Japeri em 2003, o prédio da antiga estação de Belém foi construído em 1858 com peças vindas da Inglaterra. Hoje, as características da construção só podem ser percebidas na fachada. Por dentro, a estação antiga mais parece um galpão abandonado. Fátima Alves, coordenadora de cursos do Centro Cultural de Japeri, iniciou uma busca de fotos pelo município, na tentativa de preservar tanto a estação quanto a História da cidade. — Já recebi diversas fotos. Os moradores mais antigos se sentem prestigiados em contar as estórias do município — revela.


Ex-telegrafista da antiga Estação da Leopoldina, que liga o Rio a Minas, Antônio Magalhães, de 80 anos, relembra os tempos em que a estação funcionava. Ele conta que o movimento era intenso e que o local atraía pessoas que iam em busca de oportunidade nas plantações de café e laranja. — A estação era bonita e muito movimentada. Eu trabalhava transmitindo informações para as estações Barão de Mauá, Manhuaçu e Ponte Nova. A estação Leopoldina tem a bitola (trilhos) mais larga, para trens de carga, e fica ao lado da estação de Japeri.


Orgulhoso, Magalhães mostra a carteira de trabalho e revela que chegou a ganhar cinco mil e 200 cruzados. Outro admirador do prédio, o advogado Jorge Negrão, de 70 anos, tem a História férrea de Japeri na ponta da língua. Ele conta com carinho sobre a época em que o bar de seu pai funcionava a pleno vapor na estação. Negrão explica que a estação deixou de operar nos anos 70. — No Brasil, não tínhamos como fazer esse tipo de trabalho, então, todo o piso de azulejos foi importado da Inglaterra. Aquela estação é o marco da cidade, a única com estilo de arquitetura eclético normando do Rio. É preciso conservá-la — enfatiza.


Mas não faltam relatos de moradores. Deise dos Santos, de 45 anos, por exemplo, tem atualmente um restaurante no terreno onde ficava a carvoaria de seu pai. Ela diz que seu estabelecimento fica em frente ao sítio, que hoje pertence a seu tio, onde viveu o justiceiro conhecido como Tingué. — Ele era misterioso, mas muito respeitado na região. A casa de pedra em que ele morou e criou os filhos ainda existe e, hoje, serve como moradia para o caseiro do sítio, Beto Kruchev — diz Deise.

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Notícia publicada em 05/10/2008

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Fonte: O Globo

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