Enquanto alguns passageiros embarcam no sentido contrário ao que desejam chegar somente para conseguir lugar no vagão, outros se posicionam estrategicamente na porta para ter a garantia de que conseguirão descer na parada desejada. Esse é o cenário atual do Metrô do Rio, que tem sofrido com a superlotação. O empurra-empurra dos usuários não é à toa: nos últimos dez anos, o número de passageiros no metrô cresceu 80%, sem que nenhum trem fosse adicionado à frota. Isso quer dizer que o metrô recebe hoje, em média, 550 mil pessoas por dia, e precisa acomodá-las no mesmo espaço antes ocupado por cerca de 300 mil.
O sistema ganhou também, na última década, mais dez estações e viu crescer o número de integrações com outros tipos de transportes, o que aumentou em 37,3% o número de passageiros. Antes de 2005, havia cinco linhas de integração com ônibus municipais. Desde então, mais dez foram criadas, levando ao crescimento de pessoas que usam o serviço.
— As promoções com ônibus e trens trouxeram diariamente mais 35 mil pessoas ao sistema. Temos dois grandes problemas hoje: a superlotação e o gargalo na estação Estácio, pois 85% dos passageiros da linha 2 fazem transferência para a linha 1, no sentido Zona Sul — disse Joubert Flores, diretor de relações institucionais da Metrô Rio.
Passageiros tentam driblar problemas
As notícias estão em todo lugar. Reportagens e entrevistas exclusivas sobre o setor ferroviário, só na RF — desde 1940.
Por R$ 8,42/mês — parcele em 12x sem juros.
Quem usa o sistema nos horários de pico (das 6h30m às 9h30m, e das 16h30m às 19h30m) já desenvolveu métodos para driblar as dificuldades.
A gerente de livraria Maria Izabel Pereira mora em Nilópolis e usa a integração com a SuperVia para chegar ao trabalho, no Centro. Ela salta na estação Central e teria que passar apenas pelas estações Presidente Vargas e Uruguaiana para chegar ao seu destino, a estação Carioca. Mas como sempre encontra os vagões superlotados de passageiros oriundos do Estácio, onde fica a integração com a Linha 2, ela é obrigada a dar uma “marcha-a-ré”. Ela embarca no sentido contrário e vai até uma das estações da Tijuca, em busca de uma composição mais vazia, para depois avançar.
— Acho o serviço péssimo. Há dias em que não consigo entrar no carro e preciso fazer o caminho oposto para pegar o metrô, que acaba não sendo mais rápido. Ele muitas vezes é pior do que o trem, que tem mais vagões. No trem, às vezes consigo vir sentada. No metrô, nunca — diz.
Se Maria Izabel não consegue entrar no vagão que chega à Central, o militar Antônio Carlos da Silva tem dificuldades para sair. Ele já desenvolveu uma estratégia para não perder a parada.
— Quando entro no carro, preciso ficar perto da porta de saída, senão fico preso no vagão — conta.
O empresário Marcelo Cortez vai todos os dias da estação São Francisco Xavier até a Saens Peña para conseguir lugar para sentar. De lá, segue para a Carioca, onde foi furtado há seis meses. A parada é a mais movimentada do metrô, com uma circulação diária de 97 mil passageiros.
— O serviço é uma porcaria. Depois que eles colocaram esse monte de integrações ficou ainda pior porque aumentou a demanda, mas não o número de trens. Várias vezes já vi discussão e empurra-empurra. Até assalto acontece, na Central e na Carioca. Se der bobeira, levam a carteira e o celular. Eu mesmo já perdi um. Tiram da sua cintura e você nem vê — contou ele, que deu queixa do caso na 5ª DP (Gomes Freire).
Concessionária promete 19 carros
Segundo o secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, até dezembro de 2007, o aumento da frota era uma responsabilidade do Estado, que preferiu, até então, investir apenas na construção de estações: — Essa foi uma opção do governo anterior. Desde a inauguração da Estação Siqueira Campos já se sabia da demanda por novos carros. Assim que assumimos, procuramos a concessionária e, na falta de recursos, passamos para o Metrô Rio a responsabilidade de ampliar a frota. Essa negociação demorou um ano.
Para dezembro de 2009, o Metrô Rio garante a inauguração de uma nova linha para ligar a estação São Cristóvão à Central, acabando com a transferência no Estácio. A medida acaba com a transferência no Estácio. O grupo aguarda apenas licença ambiental da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema) para dar início às obras.
— Com isso vamos levar as pessoas com mais conforto até o Centro — disse Joubert.
A previsão é que dezenove trens novos passem a operar nos trilhos do metrô a partir de dezembro de 2010. As mudanças previstas estão orçadas em R$ 1,15 bilhão. O Metrô Rio garante que os novos investimentos não vão influenciar no preço da passagem, que só é corrigido anualmente, pela inflação.
O mal funcionamento do ar-condicionado em vagões da linha 2, outro motivo de insatisfação dos passageiros, também deve ser resolvido com os novos carros.
— Os novos trens serão inteiramente destinados à linha 2, pois vão contar com sistema de refrigeração adequado para operar na superfície — garante Joubert.
Problemas também na SuperVia
Não são apenas os usuários do Metrô que enfrentam problemas. Ontem, quem usou os ramais de Santa Cruz e Japeri, durante a manhã, teve dificuldades para chegar ao trabalho na hora. Por volta das 5h, uma composição do ramal de Santa Cruz parou na altura de Magalhães Bastos e os passageiros foram obrigados a embarcar em outro trem.
Segundo a SuperVia, a paralisação foi causada por um furto de 60 metros de cabos da rede elétrica. Durante boa parte do dia, o ramal registrou atrasos, que chegaram a até dez minutos.
Também pela manhã uma composição do ramal de Japeri teve um problema técnico próximo à estação de Comendador Soares, em Nova Iguaçu, por volta das 7h. Houve um princípio de confusão no local quando os passageiros passavam para outro trem, mas o tumulto foi controlado pela equipe de segurança da SuperVia. A circulação nesse ramal sofreu atrasos, mas voltou a operar normalmente em uma hora.
Seja o primeiro a comentar