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Usiminas dobra uso de minério próprio

A Usiminas está ampliando o uso de minério de ferro de minas próprias, adquiridas no ano passado, na fabricação de aço em usinas de Ipatinga (MG) e Cubatão (SP). Neste ano, segundo informou o presidente da empresa, Marco Antônio Castello Branco, o volume deverá atingir 2,2 milhões de toneladas, o dobro do ano passado. Esse montante vai representar 22% da demanda da siderúrgica sediada em Belo Horizonte, que ontem, em São Paulo, lançou sua nova marca e uma nova reorganização de seus negócios.


Atualmente, por conta da forte retração na demanda interna e nas exportações, a empresa opera apenas com dois altos-fornos, responsáveis por 50% da capacidade instalada total, de 9,5 milhões de toneladas de aço por ano. Os demais – dois em Ipatinga e um em Cubatão – estão paralisados.


O minério para a usina paulista, que ficará com cerca de 1,9 milhões de toneladas, é transportado desde Minas, onde estão as operações que eram da J. Mendes (compradas pela siderúrgica há um ano) em trens da MRS. Já para Ipatinga, onde é abastecida por minério e ferrovia (Vitória a Minas) da Vale, a Usiminas está levando seu minério de ferro em caminhões. O volume alcançará cerca de 300 mil toneladas.


O maior uso de minério próprio, diz Castello Branco, representa menor custo da matéria-prima, pois os preços atuais, com 70% de aumento, ainda vigoram até fim de março e a queda do valor a ser praticado em 2009, na sua avaliação, não deverá passar de 15%. Além disso, observou, por conta da retração dos mercados globais, a Vale deixou de retirar minério contratado com a J. Mendes, em acordo que vigora até 2012. “Com esses fatores, a solução foi ampliar o uso em nossos altos-fornos”.

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O executivo informou que a queda de consumo aparente do mercado brasileiro de aço, de produtos planos, será de 17% neste ano, de mais de 12 milhões de toneladas para bem menos de 10 milhões. “É algo nunca visto antes no país”, desabafou o executivo. Ele afirmou que só será possível enxergar o início da retomada do crescimento do setor no quarto trimestre do ano. “Não observamos a recuperação que imaginávamos”.


Diante desse cenário, os investimentos estão sendo revisados e, em muitos casos, reduzidos para enfrentar a desaceleração da demanda. “O mercado interno vai mal e o externo simplesmente não existe mais”, enfatizou. O plano de US$ 6,1 bilhões, para nova usina de placas, de 5 milhões de toneladas em duas fases, entrou em reavaliação. “Não vamos entrar numa aventura desse tamanho sem ter uma visão de longo prazo, que hoje não passa de uma semana”, disse. O executivo acha que os preços do aço, que tiveram quedas na faixa de 50%, já estão próximo do fundo do poço. “Até o fim do ano espero ver os resultados desta mudança da marca da Usiminas e uma melhora no setor como um todo”.


Para retratar uma nova era da empresa, com gestão mais ágil, a Usiminas lançou uma nova marca e nova estrutura de negócios, integrados com a estratégia da companhia. A Usiminas está investindo R$ 4 milhões no projeto, encomendado à Interbrand. Inclui mídia e publicidade. O plano original previa R$ 30 milhões.

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Fonte: Valor Online

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