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Espanhóis criticam modelo do TAV brasileiro

Mais cautelosos do que outros grupos que acompanham o projeto do trem-bala encaminhado pelo governo federal, os representantes da malha de alta velocidade espanhola têm considerado o projeto inviável caso seja lançado como uma Parceria Público Privada (PPP) – exatamente o modelo levado mais a sério dentro do governo. A visão é de que o trem de alta velocidade é construído e administrado pelo Estado no mundo todo, e a inovação brasileira poderá complicar o negócio: para os espanhóis, não interessa associar-se a empreiteiras ou outros investidores a fim de tornarem-se sócios de uma ferrovia em outro país.


Liderado pela fábrica de equipamentos ferroviários Talgo, em associação com os operadores do sistema ferroviário espanhol – Renfe e Adif -, o grupo vêm se movimentando no Brasil, mas está aguardando a confirmação do modelo do negócio antes de dizer se entrarão na concorrência.


Na visão de um de seus representantes no Brasil, valeria mais a pena que o governo contratasse a construção da linha de alta-velocidade e preparasse uma licitação para a aquisição das máquinas. Depois, seria fechada alguma espécie de associação com uma estatal que opera o sistema no exterior para viabilizar a criação de uma similar brasileira.


A ideia dos espanhóis é de que o trem de alta velocidade é praticamente uma commodity, com dez fabricantes espalhados pelo mundo – apenas a Espanha tem dois -, e a construção do trecho também pode ser realizada por qualquer grande construtora. A parte mais complicada seria a operação do sistema, que garante a pontualidade e a segurança. Um acidente – inédito até hoje – pode ter consequências catastróficas, e o atraso acaba com a racionalidade do sistema – na Espanha, a operadora devolve o dinheiro se houver uma demora superior a cinco minutos. Somadas essas características à falta de lucratividade intrínseca do trem de alta velocidade – é imprescindível o subsídio público – a conclusão dos espanhóis é de que o natural é que o sistema seja operado pelo Estado.

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O problema é o financiamento da obra. Com a PPP, o governo pretende atrair pelo menos metade do investimento de cofres privados – o custo é estimado entre R$ 10 bilhões e US$ 15 bilhões. Segundo esse representante dos espanhóis no Brasil, contudo, o formato do negócio é um problema meramente contábil, e não altera o resultado do investimento. Os gastos, alegam, nem seriam tão grandes se comparados com o total das obras do PAC. Como outros grupos, os espanhóis não têm objeção a construir as máquinas no Brasil nem a transferir tecnologia.

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Fonte: Valor Econômico

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