Para construir a Linha 3 do metrô — que ligará a Praça Arariboia, no Centro de Niterói, à Estação de Guaxindiba, em São Gonçalo — o estado terá um longo caminho a percorrer, além dos 12 quilômetros de extensão do trecho.
A faixa de domínio da antiga ferrovia Campos-Niterói, por onde passará a nova linha, está ocupada em vários pontos. Mesmo que ela seja elevada, como prevê o projeto, o fantasma das desapropriações já ronda dezenas de casas e barracos construídos irregularmente às margens dos velhos trilhos.
O projeto é parte da Linha 3 do metrô, que, originalmente, partiria da Estação Carioca, no Centro do Rio, passaria sob a Baía de Guanabara, chegaria a Niterói e seguiria até São Gonçalo.
Trecho entre as duas cidades teria 14 estações
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Por falta de recursos, o estado decidiu construir apenas o trecho Niterói-São Gonçalo. Segundo o governo, a linha de metrô correria sobre um viaduto em toda a sua extensão e teria 14 estações.
Em 30 de dezembro passado, o estado assinou um convênio com o Ministério das Cidades no valor de R$ 62 milhões, que, de acordo com a Secretaria de Transportes, servirão para fazer o projeto e dar início às obras. O governo federal entrará com R$ 50 milhões. A contrapartida do estado será de R$ 12 mlhões. Segundo o secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, as obras devem começar em dois meses, no máximo. O trecho será feito pelo Consórcio Construtor Fluminense, que reúne as empreiteiras Queiroz Galvão e Carioca Engenharia.
Nova linha deverá beneficiar 350 mil pessoas
Pelo projeto original, a Linha 3 beneficiaria cerca de 350 mil passageiros por dia ao longo de 14 estações: Arariboia, Jansen de Mello, Barreto, Neves, Vila Laje, Paraíso, Parada 40, Zé Garoto, Mauá, Antonina, Trindade, Alcântara, Jardim Catarina e Guaxindiba.
Moradores já falam em desapropriação
Apesar de os trilhos passarem a menos de três metros da porta de Teresa Eliete Guimarães, moradora de Alcântara, em São Gonçalo, o trem ainda é uma realidade distante para ela. Há tempos, o vaivém na antiga ferrovia CamposNiterói se limita às crianças correndo para lá e para cá. Há pelo menos um ano não passa qualquer trem por ali. A casa de Eliete, como a de seus vizinhos, foi construída dentro da faixa de domínio da ferrovia. Para esses moradores, o trem, antes de ser um benefício, hoje é uma grande preocupação.
— Há anos eu ouço essa história de metrô passar por aqui, mas agora estou achando que é sério mesmo — diz Teresa Eliete, que mora há oito anos numa casa às margens da linha. — Se me derem um lugarzinho qualquer, tudo bem. Sabe como é: eu como sardinha, não vou exigir bacalhau.
Adélio Xavier, cuja varanda se debruça sobre os trilhos, também está preocupado com o rumo dos boatos. Dono de uma casa de dois andares no bairro de Jardim Catarina, em São Gonçalo, onde vive com a família, ele também se preocupa com a chegada do metrô: — Se o estado chegar aqui querendo trocar a minha casa por um barraco com quartinho e banheiro, não vou aceitar. Agora, se for uma casa de dois quartos, sala, cozinha e banheiro, então a gente pode conversar — afirma Adélio.
Especialista diz que obra não teria viabilidade Para o secretário Júlio Lopes, alguns dos principais entraves ao projeto estão perto de serem solucionados.
— Nós temos conversado com a prefeitura de Niterói, que anteriormente defendia o metrô subterrâneo, e eles estão dispostos a voltarem à ideia original, que barateia e dá mais viabilidade ao projeto. Hoje existe um novo conceito de linha. Dubai fez 74 quilômetros de metrô suspenso. Além disso, ele nos permite fugir da questão das invasões ao longo da linha — diz Lopes.
A resistência à construção de um metrô de superfície entre Niterói e São Gonçalo não vem apenas dos moradores que ocuparam as margens da antiga ferrovia. Para o engenheiro Laerte de Holanda Sales Filho, especialista em transportes, essa linha só teria viabilidade econômica se partisse do Rio.
— Este é apenas um dos quatro corredores viários entre Niterói e São Gonçalo. As pessoas que estão nos outros três não vão usá-lo. Quem está na NiteróiManilha, por exemplo, poderá pegar um ônibus para ir até Niterói. Pensar que as linhas de ônibus vão deixar de existir é utopia — argumenta Laerte, para quem a nova linha pode acabar se transformando num elefante branco.
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