A próxima quinta-feira, 16, poderá ser um marco para a reativação da ferrovia no trecho entre Serrana, no Estado de São Paulo e Itaú de Minas. A idéia é se colocar em funcionamento um trem turístico que vem sendo chamado de “Expresso Café com Leite”. O estudo de viabilidade ganha novos contornos a partir do dia 16 em Curitiba quando o prefeito de Serrana, Nelson Garavazzo (PT) se encontra com o empresário Adonai Aires de Arruda. A proposta é que o Expresso Café com Leite, interligue Serrana, da antiga estação de Capeva a Itaú de Minas, passando por Altinópolis, Guardinha, São Sebastião do Paraíso, Pratápolis e Itaú de Minas. A composição, pelo esboço inicial, terá sete vagões puxados por locomotiva a diesel, tendo como foco turistas, e eventuais passageiros, devendo percorrer o trecho de 140 quilômetros em quatro horas, com paradas de dez minutos em cada estação. Em boa parte, por exemplo próximo ao Distrito de Guardinha, os trilhos da extinta São Paulo e Minas, hoje pertencente a Ferrovia Centro Atlântica (FCA) – Vale do Rio Doce, foram furtados.
Segundo informações na prefeitura de Serrana, a FCA -, mais que aprovar a iniciativa de se reativar a ferrovia neste trecho, promete ajudar. Isto consta em documento firmado no qual se comprometeu “manter em atividade” o ramal Serrana – Itaú de Minas, desativado há aproximadamente três anos. Ao prefeito Garavazzo, a FCA teria prometido emprestar máquinas e vagões.
Outro fato animador é que o empresário Adonai Aires de Arruda tem outros empreendimentos ferroviários, sendo criador do Serra Verde Express em Curitiba, tido como um sucesso na área turística, “recorde de público”, que faz o trajeto da capital paranaense a Paranaguá.
Na última quarta-feira, dia 8, Arruda inaugurou o Pantanal Express – o Trem do Pantanal – sendo 220 quilômetros entre Campo Grande a Corumbá, passando por Miranda e Aquidauana, no Mato Grosso do Sul.
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No DNIT
O projeto do Expresso Café com Leite já deu entrada no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes – DNIT -, em Brasília, com o pedido que aquele órgão proceda reparos na malha viária, implante a sinalização, rede elétrica, substituição de dormentes, trilhos, limpeza e conservação de trilhos.
O custo do projeto não foi informado, mas de antemão o prefeito de Serrana admite que o mesmo somente será viável com parcerias na iniciativa privada.
Dos sete vagões inicialmente pensados para o Expresso Café com Leite, um seria restaurante, e outro enfermaria e cabine para o chefe do trem. Cada vagão levaria 600 pessoas, portanto, um total de 300 passageiros.
A Estrada de Ferro São Paulo – Minas surgiu em 1890 e na época se chamava Companhia Melhoramentos São Simão, implantada para servir a princípio doze fazendas de café na serra de São Simão. Seu crescimento se deu depois de associar-se ao grupo inglês Faribanks. O nome Estrada de Ferro São Paulo-Minas veio em 1906. Foi transferida em 1967 para a Companhia Mogiana. Dois anos depois foi transformada em sociedade de economia mista de forma a poder incorporar-se a FEPASA – Ferrovias Paulistas S.A.
Os ramais de Ribeirão Preto foram desativados por ordem do então governador Laudo Natel no início da década de 70. O que ligava Serrana a Itaú de Minas foi adquirido pela FCA, e há aproximadamente três anos também deixou de funcionar.
A notícia dando conta da possível reativação do trecho foi bem recebida por ferroviários aposentados residentes em Paraíso, que trabalharam na Mogiana e São Paulo – Minas. Ao relembrar a importância histórica da ferrovia não apenas na região, mas em todo o país, salientam que a pretendida reativação foi objeto de reuniões anteriormente. Na última delas em Paraíso esteve presente um funcionário do DNIT.
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