Nunca o metrô foi tão longe. Nunca Ipanema esteve tão perto dele. Dentro de dois meses, precisamente às 11h do dia 17 de dezembro, os trens da Linha 1 chegarão finalmente à Praça General Osório, concretizando um sonho de pelo menos três décadas. Para cumprir o prazo acordado com o governo do estado, cerca de mil operários da Odebrecht trabalham dia e noite: – Tivemos de dobrar o número de operários. Há três meses, eram 500. Hoje são mil. Estamos atacando em todas as frentes – assegura o engenheiro Eduardo Peixoto D’Aguiar, gerente da obra.
Em ritmo acelerado seguem também as obras de ligação das linhas 1 e 2, que eliminarão a transferência no Estácio. Elas também serão inauguradas no dia 17 de dezembro. A conexão direta Pavuna-Botafogo é um investimento de R$ 1,1 bilhão bancado pela empresa Metrô Rio, em troca da renovação da concessão.
Intervalo será reduzido entre Central e Botafogo
Para entregar a tempo 1,3 quilômetro de viadutos e 1,2 quilômetro de vias duplas na superfície, cerca de mil operários da Carioca Engenharia trabalham ininterruptamente, à luz do sol ou de potentes refletores.
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Segundo Joubert Flores, diretor de relações institucionais da Metrô Rio, a inauguração da conexão Pavuna-Botafogo, daqui a dois meses, dobrará a oferta de lugares, durante o horário de pico, no trecho entre a Central e Botafogo, para onde se dirige a maior parte dos passageiros: – Dos cerca de 20 mil lugares por hora, passaremos a ter 40 mil lugares por hora.
Outro efeito imediato das obras, segundo Joubert, é a redução do intervalo entre os trens no trecho Central-Botafogo: passará dos atuais 4 minutos (Linha 1) para 2,5 minutos, o que significa uma diminuição de quase 40%. Nas pontas do sistema, no entanto, a espera deve aumentar para cinco minutos.
Com a nova conexão, os trens que partem da Pavuna seguirão diretamente até Botafogo, sem passar pelo Estácio. Os que saem da Praça Saens Peña irão até a Praça General Osório. O passageiro da Linha 2 com destino a Ipanema terá de fazer a transferência em qualquer estação do trecho entre a Central e Botafogo.
O pacote da Metrô Rio prevê também a compra de 114 carros (19 trens), que devem começar a chegar em 2011. Com as obras e as novas composições, a concessionária pretende dobrar a capacidade do metrô nos próximos anos. Para a Copa de 2014 e os Jogos de 2016, o sistema, que hoje transporta 550 mil passageiros por dia, deverá atingir a marca de 1,1 milhão de usuários (sem contar futuras expansões).
Estação terá 12 elevadores e 17 escadas rolantes
Embora existam planos do estado de levar o metrô até a Barra – projeto que ganhou fôlego com a escolha do Rio para sediar as Olimpíadas – a única certeza, até agora, é a chegada à Praça General Osório, última contratada.
Moradores de Ipanema e bairros vizinhos, que esperam décadas pelo transporte, serão recompensados com a estação mais moderna e a terceira maior (só perde para Carioca e Estácio).
Para melhorar o acesso de idosos e portadores de deficiência, a General Osório terá 12 elevadores, 17 escadas rolantes e sete tapetes rolantes.
– A inauguração está marcada desde 4 de julho de 2007.
Não alteraremos nem o horário – diz o secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, acrescentando que a viagem inaugural nos dois trechos Serpa feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo governador Sérgio Cabral, que deverão embarcar em São Cristóvão e ir até Ipanema.
A dois meses da inauguração, já é possível ter uma ideia de como ficará a estação. Cerca de 80% dos trilhos do trecho de 800 quilômetros entre Cantagalo e General Osório já foram instalados. O piso de granito está quase todo pronto. Luminárias, escadas e tapetes rolantes estão colocados.
As paredes dos quatro acessos (Praça General Osório, Jangadeiros, Sá Ferreira e Teixeira de Melo) estão sendo revestidas com cores e motivos diferentes. O da Sá Ferreira ganhou pinturas inspiradas na arte rupestre; o da Jangadeiros exibe um painel de azulejos que reverencia um dos patrimônios do bairro, a Banda de Ipanema; o da Teixeira de Melo renderá homenagem à bossa nova e terá ainda um painel com as mãos de 170 crianças com idades de 5 a 11 anos do Morro Cantagalo.
No bairro que lança moda, a saída do metrô na Praça General Osório terá uma arquitetura totalmente diferente das demais. Ela será envidraçada, em forma de gomos. O acesso da Teixeira de Melo só deverá ficar pronto em março de 2010, junto com o elevador que ligará a estação do metrô à comunidade. Com 256 metros de extensão, o acesso Teixeira de Melo é o mais longo de todo o sistema (hoje o maior é o da estação Cardeal Arcoverde, em Copacabana com 128 metros).
Em meio à poeira das obras, estado e concessionária divergem sobre o movimento previsto para a nova estação – a 33 do metrô. O estado estima em 85 mil passageiros/dia; a concessionária, levando em conta a estação Cantagalo, calcula de 25 mil a 30 mil usuários/dia.
Linha 1 avançou uma estação por governo
As primeiras estações do metrô carioca foram inauguradas em março de 1979, mas a implantação da Linha 1 (Saens Peña – General Osório) andou a passos lentos. No vaivém das promessas, Ipanema foi ficando para trás. Nos anos 80, durante o governo Moreira Franco, moradores da região chegaram a ter uma ponta de esperança com a retomada das obras do metrô, que seria levado à Pavuna, a Ipanema e à Praça Quinze. No dia 11 de julho de 1987, O GLOBO anunciava: “Linha de metrô chega dentro de três anos a Copacabana e Ipanema”. A reportagem informava sobre o lançamento do edital de licitação para a construção do trecho Botafogo-Anita Garibaldi (Copacabana) e Anita Garibaldi-Praça General Osório (Ipanema). Cerca de 60% das obras seriam financiadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Várias frentes de obras foram abertas. Uma delas na Praça General Osório, que ficou cercada pro tapumes. As escavações mal tinham começado quando veio a má notícia. Uma série de entraves burocráticos e políticos fez com que os recursos federais para as obras minguassem. Sem condições de tocá-las, o estado decidiu mantê-las em ritmo lento ou paralisá-las em fins dos anos 80. As interrupções geraram transtornos para os vizinhos dos canteiros de obras. Os problemas só começaram a ser resolvidos no fim dos anos 90, quando os contratos foram retomados durante o governo Marcello Alencar. Nos últimos anos, a Linha 1 avançou lentamente rumo a Ipanema, à média de uma estação por governo.
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