A abertura da 12ª Feira Negócios nos Trilhos reuniu os principais tomadores de decisão dos setores de carga e passageiros do País, no Expo Center Norte, em São Paulo – SP, evento que ocorre até o dia 12 de novembro de 2009. Pascal Lupo, presidente da SNFC Internacional, empresa que comercializa a experiência ferroviária francesa no transporte de mais de um bilhão de passageiros e mais de 100 milhões de toneladas de mercadoria por ano, e Thomas Wells, presidente da TTX, empresa que administra o maior pool de vagões do mundo, proferiram palestras durante a solenidade.
Pascal Lupo apresentou a experiência francesa na implantação do TGV, desde o projeto até a realização. De acordo com ele, o percurso que liga Paris a Estrasburgo, teve sua concepção iniciada no ano de 2000, com obras civis de 2002 a 2005, obras de equipamentos ferroviários de 2004 a 2006, e fase de testes e entrada em operação de 2006 a 2007. “Foram necessárias 338 obras ao longo da linha, 14 viadutos, cinco túneis e 53 travessias de rios. Os TGVs se comunicam com as estruturas de comando à distância e a central da substação graças às 65 torres de rádio e aos 3 000 quilômetros de fibra ótica. Segundo ele, 21 estações de centrais foram totalmente remodeladas, além de três estações novas e ligações diretas com as outras regiões que foram criadas”, explicou ele.
Para o presidente da SNFC Internacional, uma grande infraestrutura ferroviária induz efeitos diretos como a melhora nas relações entre as duas cidades que conduzem alterações nas práticas de mobilidade e modificação das atividades econômicas ligadas diretamente ao tráfego, e indiretos, como desenvolvimento de novos negócios e do setor imobiliário. No entanto, é indispensável uma preparação antecipada para a chegada do TGV. “A criação de infraestrutura inclui a definição do plano de transporte que adapta todos os modais, de uma política de distribuição e ticketing, da adaptação de estações e bairros em função do fluxo de passageiros, e ainda, do desenvolvimento e integração das áreas contíguas às estações”, finalizou Pascal Lupo.
Thomas Wells palestrou em seguida com a apresentação do tema “Ferrovia e Intermodalidade – a experiência norte-americana” em que expôs dados que mostram o significativo aumento da receita empregada em ferrovias após a fundação da TTX. A empresa administra o maior pool de vagões do mundo, com uma frota de 200 mil unidades (mais do dobro da frota brasileira), onde se destacam os vagões de piso rebaixado para o transporte de contêineres empilhados. Trens de contêineres empilhados são a forma mais produtiva para transportar carga geral por ferrovia, e são comuns nos Estados Unidos desde a década de 90. Mas ainda não foram adotados no Brasil.
A frota da TTX é utilizada por todas as ferrovias Classe I dos Estados Unidos, que são sócias na empresa: BNSF, Union Pacific, CSX, Canadian National, Canadian Pacific e, desde 2008, a Ferromex mexicana. A propriedade comum dos vagões evita que eles sejam devolvidos vazios quando descarregam em outra ferrovia. Em vez disso, podem ser carregados novamente e enviados a qualquer destino.
“Nos anos 80 a TTX adquiriu double stack cars, e até os anos 90 o transporte intermodal era dominado pelos trailers. Atualmente, possuímos dois tipos de carros intermodais: double stack para contêineres e todos os tipos de carros convencionais para trailers e contêineres. O crescimento da intermodalidade nos Estados Unidos iniciou-se no final da década de 50, atingindo o ápice no ano de 2005”, destacou Wells.
De acordo com o presidente da TTX, o Brasil apresenta grande potencial para a intermodalidade, pois o tráfego de contêineres sobre trilhos cresceu setenta e cinco vezes desde a privatização, e tal aumento está em sintonia com a ascensão das exportações. Ele afirma que a implantação desse tipo de transporte é simples pois demanda pouco espaço, baixa complexidade logística, infraestrutura simplificada, e tem ainda, os padrões norte americanos de comprovado sucesso a serem adaptados e seguidos como modelo. “O transporte intermodal é comprovadamente um meio econômico para a movimentação de cargas, pois a tecnologia utilizada permite uma entrada rápida e barata no mercado propiciando um aumento da rentabilidade”, frisou Wells.
A Feira Negócios nos Trilhos já está em sua 12ª edição, e é o maior encontro ferroviário da América Latina. Nesse ano, o evento conta com mais de 150 expositores de vários países e deve quase 7.000 visitantes.
Serviço:
12ª Feira e Seminário Negócios nos Trilhos 2009
Data: 10 a 12 de novembro de 2009
Local: Expo Center Norte – Pavilhão Vermelho
Endereço: Rua José Bernardo Pinto, 333 – Vila Guilherme – São Paulo – SP
Obs: Proibida a entrada de menores de 18 anos, mesmo que acompanhados
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