Aprovada por unanimidade em todo o Nordeste, a Ferrovia Transnordestina começa, devagar, a sair do papel. Seus 1.730 quilômetros, que vão demandar R$ 5,4 bilhões, permitirão a ligação dos centros de produção de grãos, gesso, avicultura e agricultura irrigada do semiárido nordestino – área com as maiores dificuldades socioeconômicas do País – aos Portos de Suape, em Pernambuco, e de Pecém, no Ceará.
É a maior obra ferroviária do País e chega para recuperar um grande tempo perdido, afirma o secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Fernando Bezerra Coelho. A obra vai cortar os Estados do Piauí, Pernambuco e Ceará e representa um grande passo na integração de uma malha ferroviária nacional, podendo futuramente ser conectada à Ferrovia Norte-Sul.
A Transnordestina vai, no seu eixo horizontal, de Eliseu Martins (PI) ao Porto de Suape, passando por Trindade e Salgueiro, no sertão pernambucano. De Salgueiro, segue na direção norte, para Missão Velha (CE) e Porto de Pecém, no eixo vertical. Pernambuco briga por um trecho adicional que ligue Parnamirim (entre Trindade e Salgueiro) a Petrolina, na direção sul, o que interessa à agricultura irrigada do São Francisco e, em termos de infraestrutura, no futuro, faria a ligação com a Hidrovia do São Francisco.
Por enquanto, foram iniciadas três frentes de trabalho de terraplenagem, no trecho pernambucano que liga os municípios de Trindade a Salgueiro, de 163 quilômetros. O trecho de Salgueiro ao Porto de Suape, mais 522 quilômetros, conta com licenciamento ambiental, mas ainda depende da conclusão de desapropriações pelo Estado e de licenciamento do canteiro de obras. Em Salgueiro estarão as maiores instalações, com fábrica de dormentes, usina de concreto, usina de britagem, oficina de soldagem de trilhos.
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No Piauí – trecho Eliseu Martins-Trindade – há só uma frente de serviços. Em Missão Velha (CE) – dentro do trecho Salgueiro-Missão Velha-Pecém – está prevista a construção de um túnel, pontes e viadutos, mas até o momento são realizados no município apenas serviços de terraplenagem.
Das cerca de 300 mil toneladas de trilhos a serem consumidos pela ferrovia, somente 10% – 30 mil toneladas – foram adquiridos. Os trens que trafegarão pela Transnordestina terão, cada um, 104 vagões e três locomotivas.
Mesmo assim, a previsão da Transnordestina Logística S.A., que detém a concessão da obra, é de término em 2011. Ninguém acredita nessa possibilidade. Se tudo correr bem, a melhor previsão de início de operação é 2012, de acordo com o gerente geral de Programas Estruturadores da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Artur Maciel.
ENCOMENDAS
O polo gesseiro do sertão do Araripe pernambucano, que inclui os municípios de Araripina e Trindade, cortados pela Transnordestina, já reservou espaço nas locomotivas visando a escoar 1,5 milhão de toneladas de gesso e gipsita por ano pela ferrovia.
O presidente do Sindicato da Indústria do Gesso de Pernambuco, Josias Inojosa, que assinou o protocolo da reserva de espaço, está confiante. Ele acredita que em 1,5 ano o trecho entre Trindade a Suape estará concluído, beneficiando diretamente o polo, que responde por 95% da produção nacional de gesso e gipsita e emprega 80 mil pessoas.
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