No ano passado, o a Secretaria de Transportes Metropolitanos teve de suspender a licitação do Expresso Aeroporto a um dia do prazo final para entrega de propostas – a obra, de R$ 1,4 bilhão, corria o risco de não atrair interessados. Na época, o setor privado contestou a rentabilidade do projeto – apontando uma expectativa exagerada de fluxo de passageiros.
O projeto, que ligaria a estação da Luz, no centro de São Paulo, ao aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, começou a ficar comprometido com os atrasos na construção do terceiro terminal do aeroporto, que contribuiria para o tráfego na linha. Por fim, se sobrepôs às discussões sobre o trem-bala no governo federal – um potencial concorrente do expresso -, e o projeto foi para a gaveta.
No fim dos anos 90, ainda na gestão do governador Mário Covas, a primeira licitação para concessão do conjunto Anchieta/Imigrantes ficou deserta – o volume de investimentos exigido foi considerado muito grande. Um novo edital mais enxuto teve de ser lançado no seu lugar.
No caso do Rodoanel, teme-se um destino semelhante a não ser que surja um elemento novo, como outro concorrente – a exemplo do que ocorreu em Belo Monte. No caso, um grupo de pequenas construtoras, até então desconhecidas em empreendimentos desse porte, assumiu a obra e a concessão da hidrelétrica. Mas, até agora, os representantes privados do consórcio que venceu Belo Monte – também de olho no trem-bala, outra obra com críticas quanto à rentabilidade – não confirmam ter interesse no Rodoanel.
O governo federal tem instrumentos para contornar problemas de rentabilidade que não podem ser replicados no nível estadual, lembra um executivo do setor. Não é possível incluir grandes estatais no consórcio, não existe um BNDES local para oferecer crédito em condições especiais e não há a possibilidade de mobilizar os fundos de pensão para capitalizar os empreendimentos.
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