A concentração na oferta de etanol, sobretudo nas mãos de grupos mais capitalizados, está colaborando para reduzir a volatilidade dos preços domésticos do etanol neste ano. De acordo com previsão da SCA, a maior empresa de venda de etanol do país, a diferença entre o maior e o menor preço do litro do etanol hidratado, usado diretamente os tanques dos veículos, deve ficar neste ano entre 30% e 35%, ante 114% do ano passado. Os atraentes preços do açúcar, que reduz a urgência das usinas em vender etanol, também ajuda a conter as fortes oscilações.
O movimento, que já está claramente desenhado neste ano, tende, também, a dar o tom daqui em diante. Com menos volatilidade, cria-se condições para que o setor busque capturar valor com o etanol em outras frentes – não somente na tradicional venda na entressafra. A logística, afirmam especialistas, está no topo da lista.
Segundo a Bioagência, o uso de ferrovia em vez de rodovia no transporte de etanol pode gerar uma economia de até 50% quando as distâncias são mais longas, como dos Estados do Centro-Oeste até a região litorânea de São Paulo.
“Investimentos em logística sempre foram importantes, mas só agora, com a volatilidade tendendo a diminuir, criam-se vendas e rotas de escoamento de etanol mais regulares. Isso abre condições de investir para criar valor em outra ponta”, diz Tarcilo Rodrigues, presidente da Bioagência.
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Atualmente, em torno de 95% do etanol produzido no Centro-Sul é transportado por caminhões. O ideal, segundo Rodrigues, é que esse percentual caia para 60% com o avanço de outros modais no transporte do biocombustível, como ferrovia e hidrovia.
Na semana passada, o grupo paulista Cerradinho colocou em operação o primeiro terminal ferroviário de etanol de Goiás, localizado em Chapadão do Sul, a 40 quilômetros da terceira usina do grupo, no mesmo município. O terminal, que vai operar em parceria com a América Latina Logística (ALL), foi inaugurado para embarcar 2 milhões de litros por dia e recebeu aportes de R$ 5 milhões.
Por enquanto, a carga da própria empresa ocupa 50% da capacidade, mas estão sendo negociados contratos para carregar etanol das outras usinas da região, segundo Túlio Solbhia, gerente de novos negócios da Cerradinho. Ele diz que há condição de triplicar a atual capacidade do terminal, somente com os projetos de usinas novas em andamento em Goiás e em Mato Grosso do Sul.
Outros grupos vêm se movimentando. A própria Copersucar deve anunciar nos próximos meses um projeto logístico de cerca de R$ 1 bilhão para açúcar e álcool.
Outros modais também vão ganhar espaço. A Cosan, por exemplo, retomou em 2009 o transporte de etanol por cabotagem marítima até os mercados do Nordeste e do Norte. “Muitas empresas se sentem economicamente desmotivadas a explorar essas ‘janelas’ de exportação ao Nordeste por causa do custo elevado do transporte rodoviário”, diz Michel Facuri, diretor logístico da Cosan.
Em ferrovia, a Cosan também vai inaugurar três coletores de etanol. Todos esses projetos devem reforçar a logística para etanol, juntamente com os dois alcooldutos previstos para os próximos anos: o da Uniduto Logísticae o da PMCC, consórcio entre Petrobras, Mitsui e Camargo Corrêa).
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