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Concorrentes ganham fôlego com adiamento do TAV

O trem-bala que ligará o Rio a Campinas, passando por São Paulo, se algum dia sair do papel, vai entrar em uma guerra que, nos últimos anos, tem sido ganha pelas companhias aéreas. Hoje, todos os dias, uma média de 9 mil passageiros transita entre os aeroportos de Santos Dumont (RJ) e Congonhas (SP), nas duas mãos, enquanto entre as rodoviárias do Tietê (SP) e Novo Rio (RJ) circulam cerca de 3 mil passageiros. Há apenas dois anos, os ônibus transportavam 26% mais passageiros, e os aviões, 6% menos. Preço mais competitivo e o crescimento da classe média explicam a “vitória” das companhias aéreas e são, também, parte da aposta desse setor na chegada do eventual novo concorrente.


As tarifas cobradas promocionalmente pelas companhias aéreas ficam muito próximas ao modal rodoviário. Quem quiser ir de São Paulo para o Rio daqui a uma semana pagará no mínimo R$ 125, e na média R$ 300, enquanto o ônibus leito tem tarifa máxima de R$ 117,12. O valor do voo, no entanto, varia bastante, ficando mais caro quanto mais próximo do dia a passagem for comprada e dependendo do horário desejado. A passagem mais barata de ônibus para o mesmo percurso partindo do terminal de ônibus Tietê é R$ 50,67. O trem-bala, por sua vez, tem tarifa máxima estabelecida no edital em R$ 199.


Para competir com o setor aéreo, as empresa de ônibus estão preocupadas em aproximar a qualidade dos terminais à dos aeroportos. Segundo Heinz Kumm Junior, diretor-executivo da 1001, principal empresa de transporte rodoviário do eixo Rio-São Paulo, serviços comuns no setor aéreo estão sendo adotados pelo rodoviário, como a venda de passagens pela internet e o acesso a tomadas para carregar celulares e notebooks. “Precisamos mostrar que rodoviárias não são espaços feios e sujos”, diz ele.


Segundo Kumm Junior, o transporte rodoviário compete com as aéreas ao oferecer mais conforto na viagem, e com o trem-bala competirá com o preço. “Acredito que vamos ser mais baratos que o trem-bala, a não ser que haja algum subsídio”, diz.

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Apesar dos estudos mostrarem que 50% da demanda futura de pessoas que transitam no eixo Rio-São Paulo deve ser absorvida pelo trem de alta velocidade, empresas aéreas dizem não temer a entrada do novo concorrente. As companhias acreditam que existe uma demanda reprimida muito forte a ser impulsionada pelo aumento da renda que vai manter o crescimento do movimento nos próximos anos, mesmo com a chegada de um novo concorrente.


Exemplos em outros países mostram, no entanto, que o trem-bala pode se tornar mais competitivo. No Japão, o trem de alta velocidade acabou com o transporte aéreo entre Tóquio e Nagoya e reduziu a 20% a participação do voos no trecho Tóquio-Osaka.


Já o setor rodoviário vê a chegada do novo concorrente com cautela, mas segundo Kumm Junior, por ser um transporte mais caro que o ônibus, a concorrência do trem-bala deve ser mais forte com as aéreas. Por enquanto, porém, o projeto é uma incógnita, segundo Kumm Junior. “Ainda vai levar muito tempo para o trem-bala começar a operar, e o custo deve ser mais alto do que os clientes de ônibus podem pagar”, diz ele.


O diretor de comunicação da Azul, Gianfranco Beting, vê com ceticismo a previsão de perda de mercado das aéreas, e considera que a modernização do transporte no país tem o poder de fomentar o uso de todos os modais. “Acreditamos que o trem-bala pode contribuir para ampliar o fluxo de passageiros do transporte aéreo, integrando os dois meios”, diz ele.


A posição da Gol é semelhante. Segundo a empresa, no mercado brasileiro há muito espaço para crescer, independentemente do modal de transporte.


Sinal disso é que as empresas aéreas já encontram limites físicos para expandir sua atuação. Beting conta que a Azul gostaria de operar em Congonhas, mas o aeroporto está fechado para novas operações, o que mostra que uma das razões das operações não crescerem ainda mais é a falta de infraestrutura.


A Gol possui hoje seis aeronaves dedicadas à ponte aérea e opera 31 voos diários entre São Paulo e Rio de Janeiro, com atendimento nos aeroportos paulistas de Congonhas e Cumbica e no Galeão (RJ). Nos horários de pico, a companhia realiza 24 operações (pousos e decolagens) entre o Rio de Janeiro e São Paulo.


A companhia Azul começou a operar o eixo Rio-São Paulo a partir da cidade de Campinas no fim de 2008 e neste mês alcançou o patamar de 6 milhões de pessoas transportadas, crescimento classificado como “estrondoso” por Beting. “Viracopos obteve o maior crescimento de tráfego em 2009, nada menos que 390% em comparação com 2008, e temos razões para crer que ainda há bastante potencial de crescimento”, diz ele.


A empresa realiza cerca de 70 operações diárias em Viracopos. Segundo Beting, já existem dificuldades estruturais no aeroporto que encontraram ocioso há dois anos, e a operação da Azul depende de reformas já anunciadas pela Infraero. Ou seja, a demanda continua em alta.

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